Após dois anos de hiato, instituição independente que une BTS, cultura coreana e pesquisa acadêmica retorna com nova identidade, projetos inéditos, ampliação da produção de artigos e conteúdos exclusivos.
Que o BTS possui um dos fandoms mais engajados em causas sociais da atualidade, nós já sabemos. Mas o que alguns podem não ter ciência é que o ARMY, sigla para Adorable Representative MC for Youth, também está presente ativamente no meio acadêmico, levando o trabalho do grupo e a cultura coreana a debates, incentivando uma leitura crítica e divulgando conhecimento de forma acessível.
Junto com o retorno do BTS à indústria musical, após quase 4 anos de hiato de suas atividades em grupo, a associação B-ARMYs Acadêmicas (BAA), desenvolvida por fãs brasileiros e fundada em 2020, retorna oficialmente em 20 de junho e reforça seu compromisso em atuar como ponte entre fãs e academia através de conteúdos multidisciplinares. Em meio às comemorações do aniversário de 13 anos do BTS, os ARMYs brasileiros podem acompanhar novos olhares sobre seu grupo favorito e seus lançamentos.
Desenvolvido por pesquisadores que estavam trabalhando em suas próprias investigações e pesquisas quando se viram em um cenário precário e de pouco acesso ao tema no meio acadêmico, o projeto surgiu quando esses integrantes se reuniram para criar uma instituição independente onde poderiam publicar análises e ensaios sobre o BTS, a cultura coreana e seus impactos socioculturais, auxiliando e aproximando fãs do ambiente de pesquisa.
O Suco de Mangá entrevistou alguns membros e pôde perceber que a proposta do BAA ajuda a ampliar o alcance dessas discussões para além do ambiente universitário, dialogando com a mídia e fãs de todo o Brasil, através de um posicionamento firme, mas sempre atento a uma linguagem que abrange diferentes públicos.
“Acredito que amadurecemos, e essa foi nossa maior mudança. Em 2020, grande parte do BAA era formada por acadêmicos em formação ou recém-formados, e agora, em 2026, grande parte dos integrantes já estão fazendo suas pós-graduações e/ou atuando nas áreas de formação. O mais lindo de tudo isso foi poder acompanhar a evolução conjunta de todos dentro do projeto.”, afirma Juliana Follador, membro fundadora e atual presidente do B-ARMYs Acadêmicas.
Para ela, o que se manteve igual foi o senso de coletivo e pertencimento, pois todos que ainda permanecem no coletivo dividem o mesmo ideal, valorizando cada integrante que faz parte do BAA, tendo voz ativa nas decisões para que o projeto flua bem: “Por trás de toda reestruturação, existem mentes brilhantes e dedicadas.”.
“Nesses 6 anos, dos erros tiramos os aprendizados; do tempo, colhemos a maturidade; e agora estamos voltando mais preparados do que nunca. O essencial na identidade do projeto se transmite pela forma como, de dentro, somos extremamente respeitosos e coerentes acerca daquilo em que acreditamos. Temos conversas e compartilhamento de ideias de forma justa e democrática. Sempre abrimos posicionamentos para votações, para que a democracia esteja estabelecida. Afinal, também entendemos que, como projeto, temos uma responsabilidade acerca de tudo que veiculamos e produzimos.”, ressalta a presidente.
Para seu retorno oficial, o projeto trouxe o conceito de “redebut”, em vez de “comeback”, termo mais comum dentro do universo do K-pop, Beatriz Amaro, Vice-presidente do B-ARMYs Acadêmicas e líder da equipe de Comunicação e Mídia explica melhor a escolha do termo: “Embora “comeback” também seja um bom termo para comunicar uma grande volta, acreditamos que “redebut” traduz melhor o momento que estamos vivendo porque durante o nosso processo de reestruturação, descobrimos que precisávamos dar alguns passos pra trás e nos propomos a começar de novo quase do 0, sabe? Precisávamos voltar às nossas bases (ou ao “conceito original do grupo”, continuando dentro da analogia ao K-pop) e fortalecê-las, para só a partir daí nos apresentarmos, como se fosse a primeira vez.”
Sobre o retorno das atividades do projeto, ela acrescenta: “Esse BAA que a gente tá trazendo ao público agora é um BAA novo: ele é mais maduro e tem um propósito mais claro porque é o resultado de 6 anos de aprendizado do nosso antigo time somados às ideias de vários novos integrantes que trouxeram esse olhar mais profissional e focado à nossa associação. Claro que daqui pra frente temos ainda mais a aprender, mas “redebutar”, pra gente, significa isso: esse processo de amadurecimento interno e externo pelo qual a gente passou, mais ou menos como o BTS agora na Era ARIRANG.”
Beatriz Amaro pontua que o objetivo do BAA é inspirar, construir e disseminar conhecimento: “ Acadêmicos, sim, mas não academicistas, e sempre feitos de fã para fã, de forma acessível, porque hoje a gente entende melhor que temos esses dois lados: um mais sério e científico, composto por mestres e doutoras que leem, indicam artigos e estudam os fenômenos que circundam o BTS dentro da academia, mas também aquele que valoriza e tenta destacar o conhecimento e as reflexões que todos os fãs do BTS, acadêmicos ou não, podem e devem produzir.”
Entre os grandes feitos do B-ARMYs Acadêmicas está a publicação do livro “Who’s the King?: Uma coletânea de análises da Mixtape D-2”, que reúne análises das canções e videoclipes contidas no lançamento de Agust D, alter-ego de SUGA, membro e rapper do BTS. O grupo promete novas ideias e lançamentos inéditos com seu retorno.

As novidades também podem ser encontradas nos paineis já conhecidos pelos leitores do BAA, desenvolvidos e divulgados pelos mais de 40 membros que integram o projeto, responsáveis pela produção de conteúdos de diversas áreas do conhecimento. Entre eles, estão o Painel Arte, que propõe experiências e reflexões artísticas a partir do BTS; o Painel Cobertura, que será responsável pela produção da Newsletter do BAA; o Painel Como Fazer, voltado à divulgação de práticas acadêmicas e metodologias de pesquisa; Painel Olhar, dedicado a grandes reportagens e análises aprofundadas; Painel Prateleira, que explora a literatura relacionada ao BTS e ao contexto coreano; Painel Reticências, que aborda temas ligados à saúde mental e comportamento e Painel Visual, focado na análise de produção audiovisual.
Além disso, o projeto ainda conta com o podcast 2 Cool 4 Academy, que traduz debates acadêmicos sobre BTS e Hallyu para linguagem acessível, ampliando o diálogo com o público e aproximando diferentes áreas do conhecimento: “Um dos grandes desafios do BAA sempre foi conciliar o “ser fã” com o “ser pesquisador/a”. Como um projeto que reúne essas duas faces, queremos aproximar os fãs de debates, teorias, métodos e ferramentas que sejam capazes não apenas de transparecer a nossa vivência enquanto acadêmicas e acadêmicos, mas também nossa identidade como fãs do BTS.”, explica Beatriz Bandeira de Mello, representante do Painel Como fazer.
Para Beatriz Bandeira, a maior força do BAA é ser um projeto que abrange diversas áreas, desde as Artes até a Saúde, o que reflete seu DNA multidisciplinar e plural: “Fico fascinada em ver como todas as pessoas que compõem o BAA são extremamente apaixonadas pelo que fazem, e isso acaba transparecendo naquilo que produzimos como grupo.”.
Ela destaca as mobilizações do fandom do BTS como um catalisador para a continuidade do projeto, algo que vem sendo visto e estudado ao redor do mundo, pois quando lembramos de fãs engajados em causas voltadas para política, saúde, meio-ambiente e bem-estar, os fãs do grupo são o atual destaque: “O ARMY é um fandom muito engajado em causas sociais e isso nos estimula a elaborar conteúdos que contribuam para essa mobilização, seja indicando obras de referência da literatura coreana, seja dando dicas sobre como escolher um programa de pós-graduação, comentando a participação do BTS nas Nações Unidas ou mesmo pensando sobre como as músicas e trabalhos do grupo conversam com o nosso cotidiano. Essas ações têm por objetivo, justamente, alargar o horizonte de todas as pessoas que se interessam pelo BTS e que procuram ferramentas para transformar sua admiração em conhecimento.”, observa.
Quando perguntamos sobre o que podemos esperar acerca do papel do projeto, ela acrescenta: “Se eu pudesse resumir, diria que o trabalho do BAA é justamente o de descomplicar temas que parecem complicados demais, além de estimular todas as pessoas que querem ter o BTS como objeto de estudo a buscarem bibliografia, construírem suas pesquisas, publicarem artigos, desenvolverem seus projetos, participarem de eventos e, quem sabe, conquistarem bolsas de estudo.”

Para quem se identificou com o projeto e gostaria de saber mais como engajar na causa, o BAA avisa: o público poderá acompanhar as atualizações por meio das plataformas enquanto seu site (barmysacademicas.com.br) passa por melhorias internas e se prepara para receber novos lançamentos.
O retorno do B-ARMYs Acadêmicas não fala apenas sobre recomeçar, mas sobre continuar, algo que o próprio BTS vem discutindo através de seu álbum ARIRANG e suas recentes entrevistas. Em um espaço onde ser fã tantas vezes é visto como algo superficial, o BAA permanece em provar o contrário, mostrando que há profundidade, pensamento crítico e construção coletiva em cada análise, em cada troca e cada texto publicado.
Talvez seja isso que torne esse retorno tão simbólico não só para o projeto, mas para o BTS: a certeza de que, mesmo depois das pausas, algumas ideias não apenas permanecem, mas voltam ainda mais necessárias e se encontram em direção ao sol que ilumina seus caminhos tão promissores.




