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Diretamente da Itália renascentista, Arte, da Temporada de Primavera 2020, conta a história de uma moça nobre que larga sua vida abastada para se dedicar ao seu sonho de se tornar uma artista num meio extremamente masculino. Confira mais neste Primeiro Gole!

MULAN IN RINASCIMIENTO

O nome de nossa protagonista é… Arte. Agora você entende o que um japonês sente quando vê os outros falando o nome de alguma comida com a maior empolgação: “Oooh, tamago-yaki, que bacana, comida japonesa!”. Pois é, é só ovo frito. Assim como Arte é só… arte.

Apesar da simplicidade do nome, ela é uma garota atípica da Itália do século XVI. Filha de um casal da pequena nobreza, Arte teve um pai amoroso que percebeu sua paixão pela arte ainda criança. Empenhado em ver sua filha feliz, ele deu uma educação artística à garota, mesmo sob os protestos da mãe, que temia que Arte virasse uma mulher pouco atraente para os padrões da época.

Após ficar órfã de pai aos 15 anos, Arte recebe um ultimato de sua mãe para largar a vocação artística e se concentrar em se tornar uma mulher própria para o casamento. Nesse momento ela resolve juntar suas coisas e procurar por alguém que a aceite como aprendiz. Alguns momentos dramáticos mal executados depois, Arte encontra Leo (não é o Da Vinci, pois no século XVI ele já é um senhorzinho e o este Leo é jovem, apesar de um experiente artesão) que por sua vez a aceita para ser sua primeira aprendiz.

E, após três episódios, parece que é realmente só isso.

O QUE ESPERAR DE ARTE?

Não sei se é possível transparecer algum humor só pelo jeito que se escreve, mas o ânimo para o anime não é dos maiores. Quer dizer, ele já foi maior. Na verdade, Arte era minha maior expectativa da temporada, porém… Arte não é um anime sobre o Renascimento. Ele se passa no Renascimento, mas é um anime sobre uma artista se provando capaz de realizar o seu sonho, desafiando os hábitos de seu tempo e sentindo um tremelique no coração durante o processo.

Não digo que o anime parece que será ruim. Muito pelo contrário, Arte é lindo! Os rascunhos de cada trabalho que saem da mão de Arte combinam bastante com a época retratada. Mas o modelo de enredo é gasto. Não à toa chamei de “Mulan in Rinascimiento”. Estou fazendo um deboche de Mulan com isso? De jeito nenhum. Um dos primeiros filmes da Dinsey que eu vi na vida (numa aula de História no Fundamental, lembro bem) e um dos meus favoritos.

Mas algo me diz que Arte será só isso. Uma história a la Mulan, só que se passando na Itália do século XVI.

MEA CULPA

Só que, admito, a culpa é deste historiador que levantou muito a bola e foi muito mal acostumado com o gênio ambicioso e artístico de uma Da Vinci de Fate Grand/Order. É bem capaz de que se um dia fizessem um anime sobre o Renascimento, com tudo o que o caracteriza nos seus termos mais abstratos (ideal heroico, grandeza e ambição nas artes, o humano alçando ares inéditos em sua história), é bem provável de que esse anime daria sono.

Arte, portanto, é um anime histórico sem as partes chatas. Praticamente um shoujo que irá inspirar pessoas que nunca tiveram contato com o Renascimento ou que estão começando a trilhar o próprio caminho artístico.