Havia ceticismo. Muita gente questionava se o Angra teria “tamanho” para ser headliner de um festival internacional de metal no Brasil. A resposta veio em forma de show: mais de duas horas, nove músicos no palco, um público em lágrimas e a sensação inequívoca de ter presenciado algo raro.
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Três Atos, Uma História
O espetáculo foi estruturado em três blocos distintos — e cada um cumpriu um papel narrativo preciso.
O primeiro ato apresentou a formação atual, com Alírio Netto e Fabio Lione se revezando nos vocais. O novo vocalista entrou com coque samurai, jaqueta de couro e kilt: uma presença de palco avassaladora desde o primeiro segundo. Seu timbre remete ao de André Matos de forma orgânica, não forçada, e seu domínio técnico ficou claro faixa a faixa. A estreia foi mais do que aprovada!
O segundo ato foi o coração da noite. A reunião da formação clássica do álbum Rebirth — Edu Falaschi, Kiko Loureiro e Aquiles Priester ao lado de Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli — depois de 15 anos foi recebida com a intensidade que o momento merecia. Kiko e Aquiles continuam impecáveis tecnicamente. Falaschi superou eventuais limitações pela força da entrega emocional. Ver aquela formação no palco juntos de novo foi, para quem cresceu com Rebirth, um presente.
O terceiro ato, o bis, reuniu todos os nove músicos para fechar com clássicos — “Carry On” entre eles — numa celebração coletiva que resumiu bem a proposta da noite: unir gerações, não escolher entre elas.
O Momento Mais Difícil e Mais Bonito
No meio do show, durante “Silence and Distance”, a voz de André Matos soou pelos alto-falantes enquanto imagens do “Maestro” tomavam os telões. O público que já estava emocionado foi ao chão. Foi o tributo mais visceral da noite — simples na execução, devastador no efeito. Uma das cenas mais marcantes do festival inteiro.
Nem tudo foi perfeito. A saída de Fabio Lione, após 14 anos de banda, merecia mais. Cantar apenas três músicas antes do bis, ofuscado pela chegada de Alírio e pela reunião com Falaschi, foi uma despedida apagada para alguém que contribuiu tanto. As escolhas de repertório para o bloco dele também não ajudaram e “Tide of Changes” não tem o calor de outros clássicos da sua fase que ficaram de fora. Sei lá, queria um Black Widow’s Web, sabe?
Um Marco que Vai Além do Show
O Angra como headliner de um festival internacional de metal no Brasil é um dado que importa. A banda provou que tem esse tamanho, e o fez da forma mais convincente possível: com um espetáculo de produção impecável, pirotecnia, iluminação e um setlist que honrou todas as fases sem trair nenhuma.
Galeria Angra no Bangers Open Air 2026
Cobertura: Suco de Mangá, Fotos: @brunobellan | Bangers Open Air 2026 — Memorial da América Latina, São Paulo, 26 de abril de 2026




