Um homem viaja pelo interior de um sistema solar sem lei para resgatar seu pai desaparecido. Poderia ser simples, mas trata-se de um filme Sci-Fi e logo deve-se esperar algo mais além do que está sendo assistido.

Dito e feito, após Era uma Vez em Hollywood, Ad Astra – Rumo às Estrelas coloca Brad Pitt em mais um filme de 2019 o qual trabalha todo conflito de um homem e sua missão em prol à humanidade, e a única maneira é se manter extremamente racional e frio perante ao perigo, esfregando na cara de que o ser humano é falho por natureza quando se depende do controle emocional.

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Ritmo Sci-fi

Uma trama que se destaca mais por sua lentidão do que seu desenvolvimento, cada detalhe sendo narrado pelo protagonista coloca esse filme como uma hístória comum e até já vista em antigas produções, mas aí se destaca o gênero Sci-Fi, o trabalho de ficção científica junto com a distopia discutida em cyberpunk sobre a humanidade nos leva a um futuro mais “realista”, o velho conhecido de planetas colonizados e tecnologia extremamente avançada está presente, porém não se explora o submundo de uma grande metrópole como Ghost in the Shell e Blade Runner.

Pode-se dizer que Ad Astra é o mais próximo de um futuro distópico que o mundo real pode se tornar, celulares transparentes, viagem interplanetárias para o avanço da ciência e a tentativa incansável de encontrar vida inteligente fora do sistema solar.

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Amargura Cyberpunk

Porém, um ponto conhecido do cyberpunk é o mais desenvolvido e chamativo nesse filme, a amargura gerada por traumas emocionais e o quanto um ser humano consegue se manter racional no dia a dia, aqui se eleva a décima potência, a incerteza do pai desaparecido, o fim de um casamento ou qualquer tipo de afeto ou sentimento rejeitado é o princípio para um bom trabalho, tanto que o protagonista precisa passar por avaliações psicológicas para provar que está apto a seguir viagem para outro planeta, o mínimo de batimento cardíaco alterado por frustração, ira ou qualquer emoção humana te coloca em uma posição difícil na carreira – entenda-se como ser incapaz e poder ser dispensado de seu serviço, mais ou menos o que se vive hoje, mas colcando sua profissão em risco.

Ao desenrolar da história, esse equilíbrio entre razão e emoção se mostra cada vez mais difícil, isso vale para Roy (Brad Pitt), no momento em que ele pesa para o lado emocional, você cai junto e entende sua dor quando ele reflete sobre tudo, casamento e família deixados de lado por um profissional exemplar, isento de falhas e sentimentos trancados, transformando-se em uma pessoa amargurada, bem parecido com Violet Evergarden, a qual Violet viveu sua vida inteira no exército, após anos de serviço, o rumo de sua vida toma outros horizontes, tornando-se uma pessoa comum do cotidiano, mas se mostrando problemática para entender seus sentimentos e aceitá-los, em Ad Astra é uma história mais fria e bruta, menos emocional e mais reflexiva.

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Cult Sci-fi

O roteiro lento é o que dividirá opiniões do público, afinal não é um filme pop, nada de heróis ou reboots incansáveis, muitos menos filme divertido para toda a família, Ad Astra vai exigir uma imersão muito maior de quem for assistir, e por ser mais profundo do que um filme qualquer, o rótulo de cult está gritando e as pessoas que não gostam desses filmes vão começar a espumar pela boca e urrar do quão será chato assisti-lo.

O argumento correto é contemplar a existência de uma produção dessa em meio a tantas históricas genéricas em cartaz, mesmo com sua trama arrastada, Ad Astra é uma dor de cabeça pela profundidade e um afago por sua complexidade, mesmo assim se mostra difícil de digerir caso o considere um filme qualquer, única certeza é que Ad Astra – Rumo às Estrelas respeita o gênero Sci-Fi e enriquece os cinemas com a escassa complexidade nas telonas.