O Brasil mais uma vez mostra seu talento e prova o quão grandioso e impecável uma história pode ser contada, para os críticos que acreditam que a comédia é o grande “forte” do cinema nacional, A Vida Invisível traz o drama de duas irmãs as quais foram separadas por uma escolha errada de uma delas, isso faz com que elas trilhem o seu caminho de formas diferentes e te emocionando e refletindo a cada acontecimento de suas vidas.

Um drama real

Um drama real, nos anos 50, o mundo vivia uma realidade medonha que ainda se faz presente no século XXI, uma sociedade patriarcal a qual diminui as mulheres, limitando-as a uma simples moça caseira, a qual cozinha, limpa e gera filhos para seu marido, caso trabalhe fora, tinha a desconfiança de ser pula cerca, ideologia conservadora que exaltavam a família e o homem trabalhador, todo esse cenário se mantém presente quanto ao desenvolvimento das duas irmãs, pontos que mantém o debate de ideologias mais do que aceso.

Obstáculos da Época

Diante aos obstáculos da época, a vida das irmãs Gusmão se torna um inferno pessoal, Eurídes (Carol Duarte) sonha em ser pianista, sua ambição é freada por um casamento e um filho, enquanto Guida (Julia Stockler) faz uma escolha que mudaria a vida dela para sempre, foge para a Itália com um homem que a abandona tempos depois, vive o papel da mãe solteira, incapaz de fazer algo por ter um filho bastardo, o preconceito e machismo vivido por todas as mulheres do filme são óbvios por causa da época, mas não veja isso como algo negativo, pois as cenas em questão te faz sentir o quão errado era a mentalidade da década de 50, ou seja, o ódio e tristeza pelo que está sendo assistido bate nos nossos corações e com certeza é sentido ainda mais forte pelas mulheres, uma história difícil de digerir e ainda sim apaixonante por causa do excepcional trabalho de direção de Karim Ainouz e logicamente pelas atuações de Carol Duarte e Julia Stockler.

Em busca da estatueta

Com fotografia de época e trama simples porém profunda, transforma A Vida Invisível em um filme cult, provavelmente o melhor do ano do gênero, e como lembrado em coletiva pelo diretor Karim Ainouz, a cultura brasileira vive uma onda de censura e cortes de verba da Ancine por causa do cenário político que vive o Brasil, para quem não conhece a história, nossa cultura já viveu tempos de censura em época de ditadura, e se naquela época conseguiu se manter forte em meio a política da época, em 2019 ele mostra que a luta contra a censura continua e alcançando um grande marco para o cinema nacional. A Vida Invisível pode ser o Brasil no Oscar 2020, a escolha do filme para uma possível indicação prova a resistência de nossa cultura, não só para se manter viva, mas se manter presente.

Como o debate do filme é a mulher, as atrizes deram sua palavra na coletiva e falaram a importância das mensagens passadas, mas Fernanda Montenegro é praticamente o simbolo da mulher brasileira e representa o poder feminino, então suas palavras ecoarão para a eternidade, diferenciando o que é o macho, aquele que se faz presente na sociedade, é importante e vive em parceria com a mulher, não se mostra necessário, se faz presente e entende a luta da mulher, e o machão, aquele tipo do home que rotula a mulher, ridiculariza e têm uma opinião patriarcal para o papel da mulher na sociedade, Fernanda Montenegro destacou a igualdade de gêneros, destacando que a mulher não quer substituir o homem, quer igualdade, além de que o homem é importante para a sociedade como a mulher também é, no caso nos argumentos de Fernanda Montenegro, o macho, e não o machão.

Grande nome junto a Bacurau

A Vida Invisível se mostra um grande favorito a estatueta caso seja indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pois já conquistou um prêmio no festival da Espanha, e já está bem falado pelo cinema a fora, conquistando a muitos e debatido por todos, esse filme é o grande nome do cinema brasileiro em 2019 junto com Bacurau.

Apenas provas cinematográficas de que o nosso cinema é rico em conteúdo e resistente a qualquer tipo de censura o qual nossa cultura já passou e irá passar por muitos anos.