quinta-feira, abril 3, 2025
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A exposição de arte nipo-carioca: Rio Bikoo-Ten 2025

Que a presença cultural japonesa tem morada no Rio de Janeiro, isso é sabido e neste site é bem registrado. Ainda que tímida se comparada a outras cidades, a cultura japonesa vive por aqui. Agora, sobre produção cultural nipo-brasileira no Rio? Ou melhor, nipo-carioca? Esta já é um pouco mais desconhecida de maneira ampla se comparada aos matsuri nossos de cada dia. Porém, não se engane! O Bikoo-Kai carrega em suas costas mais de três décadas de cultivo às belas artes japonesas, com sensibilidades brasileiras.

Visitamos sua exposição e aqui contamos alguns detalhes para vocês.

 Rio Bikoo-Ten 2025
Imagem Divulgação | Suco de Mangá

Exposição Bikoo-Ten

Na quarta-feira do dia 19 de março, a Galeria Antonio Berni recebeu a 32ª edição do Bikoo-Ten. O evento reuniu vários trabalhos de diferentes artistas, de dentro e de fora do Bikoo-Kai, versando a arte japonesa, a arte local carioca e o que mais fosse da expressão dos expositores e das expositoras.

Peças de kimono estendidas, trabalhos de caligrafia (shodo) e cerâmica dividiam espaço com arte contemporânea, arte digital, fotografias e desenhos infantis.

 Rio Bikoo-Ten 2025

Trabalho de kintsugi em cerâmica e xilogravura “O Chamado de Inari” (稲荷の呼び出し), de Beatriz Hallier | Imagem Divulgação | Suco de Mangá

Localizada no Consulado Geral da República Argentina no Rio de Janeiro, a exposição perdurou pelos dias úteis seguintes até a última sexta-feira do dia 28 de março.

No evento havia folhetos com informações valiosas sobre os autores participantes, a história da instituição e uma curiosidade interessante sobre a Galeria que abrigou esta última edição. A Galeria Antonio Berni passou dez anos ininterruptos sediando o Bikoo-Ten, de 2008 a 2018, tendo este autor a sorte de visitar nessa última ocasião.

Combos à parte, também foram realizadas outras edições neste mesmo espaço em 1996, de 1998 a 2001 e de 2003 a 2006. Totalizando aí vinte e um anos de exposições e de avivamento da arte nipo-carioca através do Grupo Porto Belo (Bikoo-Kai, em japonês).

 Rio Bikoo-Ten 2025

As expositoras Beatriz Hallier e Teruko Monteiro | Imagem Divulgação | Suco de Mangá

Alguns destaques

À guisa de destaque pessoal, chamou-me muito a atenção o fato de no dia 19 de março, uma das expositoras, Kim Long, ter decidido apresentar uma arte de ninguém menos que Manabu “Mana” Sato, no dia de seu aniversário, 20 de março no Japão.

Renomado talvez mais como designer e estilista da Moi Même Moitié, grife que fundou o gótico-lolita, sua fama também vêm como músico, sendo o guitarrista e compositor de bandas lendárias na história do visual kei, como o Malice Mizer e o Moi dix Mois. O Brasil (e a América Latina como um todo) é lar de fãs apaixonados pelo trabalho pioneiro do guitarrista e prova desse amor se fez presente no Bikoo-Ten, de forma bem atenta à data especial para o artista de Hiroshima.

 Rio Bikoo-Ten 2025

A arte do Mana, por Kim Long, baseada na sessão de fotos do single Ma Chérie~愛しい君へ~(1996) | Imagem Divulgação | Suco de Mangá

Além disso, outro destaque pessoal vai para os telões de Alice Akamatsu. A simplicidade dos quadros revela um trabalho convincente no senso de percurso causado pelo primeiro quadro à esquerda da artista e no senso de iluminação ao lado direito.

Akamatsu comentou seu conforto com as formas abstratas e a sensação de liberdade que nestas sentia para poder se expressar, relembrando as dificuldades durante a faculdade de medicina, ante o rigor das formas anatômicas humanas.

Também, sua visão artística compreende um multi cosmo. Ou seja, seus trabalhos podem ser vistos tanto feito um microcosmo, como um macrocosmo, sendo possível à famosa alusão do mundo numa casca de noz.

 Rio Bikoo-Ten 2025

A artista plástica Alice Akamatsu, em frente aos seus trabalhos | Imagem Divulgação | Suco de Mangá

Sobre o Bikoo-Kai

Sendo assim, criado inicialmente em 1979 como o Rio Bi, o Bikoo-Kai é desde 1989 o testemunho de uma presença nipo-brasileira. Antes, mais pujante no Rio de Janeiro, mas que ainda sobrevive muito bem, obrigado.

As limitações deste autor em comentar de forma mais coesa sobre arte, por um lado, andam de mãos dadas com uma profunda admiração pelo fazer artístico, por outro. Bem mais do que a mera busca pela auto-expressão, a arte dá testemunho de nossa humanidade e de nossa possibilidade de ascender nossas sensibilidades para além do animalesco que nasce conosco.

Por essas e outras razões apaixonadas, fica o incentivo para acompanhar os próximos trabalhos do Bikoo-Kai e para correr atrás dessas experiências no geral. Então, vá ao CCBB, ou no MASP ou num show da banda indie mais próxima de sua casa. A arte engrandece e revitaliza; e seu contato tende mais aos ganhos do que as perdas!

 Rio Bikoo-Ten 2025

O flyer do evento, com detalhes de atividades, datas da exposição e apoio institucional | Imagem Divulgação
Eriki
Eriki
Olá, sou o Eriki, redator do Suco de Mangá desde 2018, ex apresentador do Gole Otaku, programa semanal do Suco de Mangá sobre as estreias de animes da temporada, formado em História pela UFRJ e guitarrista da Matina Cafe, banda que se inspira no som do visual kei.

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