E se toda vez que você tivesse um sentimento intenso surgissem orelhas e um rabo de raposa no seu corpo? Pois é com isso que Akiha tem que conviver. No boys love Ciúme cor de Raposa, Akiha precisa lidar com o espírito de raposa que vive dentro dele e com um universitário fofo e bonitão tentando ajudá-lo.
A obra foi escrita por Machi Suehiro, autora especializada em títulos LGBTQIA+, como Dear Signal, Fake Fact Lips e Aimai na Wolf (inclusive, já quero todos).
Quem trouxe o mangá para o Brasil foi a Editora JBC, numa edição de volume único com 200 páginas e marcador de brinde. Então, vamos de review!
Raposa travessa

A premissa de Ciúme cor de Raposa é bem simples. Akiha, um jovem de 18 anos que recém entrou na universidade, vem de uma família cujos membros são facilmente possuídos por um espírito de raposa.
Para contextualizar um pouco, no folclore japonês, a raposa é vista tanto como espírito quanto como uma divindade menor. Elas possuem inteligência muito avançada, longevidade e poderes mágicos — por exemplo, conseguem alterar sua aparência para se parecerem com humanos.
Além disso, a personalidade das raposas transita entre travessa e benevolente, podendo ser trapaceiras, guardiãs, boas amigas e esposas. Por isso, dependendo da situação, elas podem ajudar ou enganar.
Voltando para nosso protagonista Akiha, o espírito que vive dentro dele toma conta de seu corpo para as mais diversas situações. Pode fazer o Akiha destruir plantações, beber até cair, ir para lugares desconhecidos e uma porção de outras coisinhas.
Assim, para conseguir controlar essa raposa, Akiha vai para Tóquio, na casa de parentes distantes que vivem em um templo. Ele tem esperança de que, com essa ajuda espiritual, conseguirá viver em paz e harmonia com o espírito que habita seu corpo.
Porém, ele não esperava conhecer Yukuri, um universitário lindo, fofo e protetor que atiça a raposa dentro de si.

Se espremer, cai mel
Esse mangá é um grande pote de mel. Akiha é aquele personagem que fica facilmente envergonhado, além de ser muito fofinho com as orelhinhas. Já o Yukuri é um príncipe, um meigo, tem aquela personalidade protetora e calma (menos quando mexem com o Akiha) que a gente ama.
Resumindo, a história é uma água com açúcar gostosinha de ler.
O primeiro encontro dos dois foi na estação de metrô, quando Yukuri “salva” Akiha de um assédio. Podemos dizer que, pelo menos para a raposa dentro dele, foi amor à primeira vista.
A partir disso, Yukuri quer proteger Akiha na universidade, na vida em Tóquio e da própria raposa. Com o seu charme e jeito meio mandão, ele consegue fazer alguns acordos com o espírito para deixar Akiha viver em paz, contanto que a raposa ganhe algo em troca depois (hehe).

No meio disso, Akiha tenta compreender o que está sentindo pelo Yukuri. Afinal, quando a raposa assume seu corpo e faz investidas para cima do Yukuri, ele não acha de todo ruim. Na verdade, quer se aproximar do Yukuri estando consciente das suas ações.
Um boys love de respeito
Literalmente, de respeito. Uma das coisas que eu mais me encantei em Ciúme cor de Raposa é como o consentimento é reforçado aqui.
Nada dos beijos forçados e relações problemáticas dos boys love antigos, aqui o determinante é a vontade dos dois de fazer acontecer.
Yukuri, nosso divo bissexual, deixa bem claro que não terá nenhum contato físico com o Akiha quando ele não estiver consciente. Ou seja, não importa o quanto a raposa implore, se não tiver o consentimento do Akiha, nem beijinho vai ter.

Inclusive, logo no começo do mangá, Yukuri dá um selinho surpresa em Akiha e ele mesmo pede desculpas depois. Ou, mesmo numa cena mais hot, quando os dois já estão envolvidos, Yukuri “fará coisas” somente se tiver a certeza de que é a vontade do Akiha, não apenas da raposa dentro dele.
Isso contrasta com o “antagonista” da história, que fica interessado em Akiha, mas ultrapassa os limites e força uma aproximação. Assim, fica nítida a posição de predador dele, totalmente diferente da relação consensual com Yukuri.
Impressões finais
Esse mangá é uma aula de romance. É fofo, engraçado, tem conflito, consentimento, tem hot, desenvolvimento da relação, enfim. Me encantei profundamente.
De qualquer forma, se eu tiver que citar alguma coisa, é que eu achei meio estranho o Yukuri ser um dos parentes distantes. Se ele é um primo em milésimo grau ou coisa parecida, não ficou claro. Porém, considerando todos os pontos positivos da história, é algo que dá pra relevar.
Então, se você tem mais de 18 anos e quer ler um boys love beirando a perfeição, corre ler Ciúme cor de Raposa e se prepare para derreter o coração!





