Criaturas inimagináveis e horrores que nenhuma pessoa consegue compreender. Esses são pontos centrais das narrativas de H.P. Lovecraft, o pai do horror cósmico e um dos autores mais influentes do século XX. Com visual sombrio, O Habitante da Escuridão integra a coleção em versão mangá dos contos de Lovecraft da Editora JBC.
Com adaptação e artes nas mãos habilidosas de Gou Tanabe, a obra traz o que há de melhor — ou pior — do universo lovecraftiano.

Dagon
Preimeiro, o volume ilustra o conto Dagon, uma das primeiras histórias que Lovecraft escreveu quando adulto (1917). Sua primeira publicação foi em 1919, na revista amadora The Vagrant.
Assim, na história acompanhamos um marinheiro que, após dias à deriva no oceano, tem um sonho perturbador. Vê corpos estranhos flutuando na água e, quando acorda, está numa terra lamacenta, impregnada com o odor dos incontáveis animais em decomposição.
Determinado a encontrar ajuda, o homem explora o local, encontrando uma caverna com um gigante monólito no centro, cheio de esculturas de criaturas monstruosas. A pior de todas estava em seu topo, um rosto de uma divindade terrível e suprema.

Porém, os barulhos que o marinheiro ouviu e os olhos que ele encarou enlouqueceram sua mente, o perseguindo até seu último suspiro.
O Habitante da Escuridão
Este conto é mais famoso, sendo um dos últimos que Lovecraft escreveu e integrando os Mitos de Cthulhu. O Habitante da Escuridão foi escrito em 1935 e publicado em 1936 na revista Weird Tales.
Agora, seguimos Robert Blake, um escritor de histórias sobrenaturais que aluga um antigo quarto para se dedicar à escrita.
Porém, da sua janela Robert vê a torre de uma igreja sombria, que parece afastar até mesmo os pássaros que voam ao seu redor. Então, sentindo-se atraído e curioso pelo lugar, ele ignora os apelos dos moradores para não visitar a igreja abandonada.

Com imprudente determinação, ele explora o lugar e seus antigos cômodos, encontrando objetos amaldiçoado e figuras impossíveis de explicar.
Assim, atormentado pelos horrores ancestrais que ele mesmo libertou, percebe que a luz ao seu redor começa a desaparecer, colocando sua vida, a cidade e o mundo inteiro à mercê de criaturas que jamais deveriam ser perturbadas.

Indescritível
Acredito ser desnecessário reforçar como Lovecraft consegue criar uma aura de suspense e a tensão em suas histórias. O medo, a estranheza e a grandiosidade do horror cósmico foram muito bem retratadas pelas artes de Gou Tanabe. São desenhos belíssimos, com traços marcantes e riqueza de detalhes.
É um mangá envolvente, impressionante e, de certa forma, encantador. Por isso, os amantes de horror, mangás e RPGs com certeza vão amar essa jóia que a Editora JBC nos entregou.

Por isso, acomode-se no sofá e se prepare para encarar O Habitante da Escuridão.


