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Como prometido, lhes trago a versão COM SPOILERS de Vingadores: Guerra Infinita, comentando as cenas do filme mais aguardado do ano! Se você ainda não assistiu, recomendamos o link abaixo da versão sem spoilers. Boa leitura!

REVIEW SEM SPOILERS

Uma Década de Cores

Primeiramente, palmas para o produtor Kevin Peige – e porquê não – ao então descrente naquela época em que vestira a armadura pela primeira vez, Robert Downey Jr. Com dez anos de história e com 19 filmes dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), criou-se um hábito numa geração, com filmes de super-heróis saindo a todo momento.

Com fórmulas que deram certo, outras que entraram em desuso e mais algumas que estão por vir – como a exploração de gêneros e tons diferentes nos filmes – Vingadores: Guerra Infinita resume bem em suas quase três horas, este punhado de receitas para o entretenimento.

Pode não ser o filme mais pipoca de todos, ou o mais engraçado, ou o com mais ação e desenvolvendo temas pertinentes da nossa época da Marvel, mas é, e teve, de colocar cada um destes elementos que fizeram o público vibrar, sorrir, chorar e sonhar com seu herói favorito na telona.

marvel studios 10th anniversary
Os dez anos de Marvel Studios (Imagem Divulgação)

Ambição e Serenidade de Thanos

Sendo direto: o filme é dele. Thanos, interpretado por Josh Brolin, que também é o Cable em Deadpool, dá o tom sereno do anti-herói – pelo menos, o considero assim no MCU – em Guerra Infinita.

Sem todo aquele clichê de ficar no trono, delegando funções, enviando suas legiões para atacar cada um dos planetas e galáxias, ele mesmo em pessoa – se é que podemos chamá-lo assim – vai até o seu objetivo.

Sua ambição é tamanha que chega a sacrificar seus entes próximos, como Gamora; mas o interessante é que isso não lhe toma a cabeça, a serenidade e o foco em conseguir seus objetivos.

A motivação de Thanos é clara, mas não demonstrada com seus porquês – pelo menos neste filme. Ele quer e consegue com um estalar de dedos, destruir metade dos seres do universo e depois, descansar e ver o pôr do sol de boas em seu recinto.

Como protagonista, sua construção têm começo, meio e fim dentro do filme; dando aquele ar mais humanizado ao CGI, que por sinal, é possível identificar uma atuação “real” por ali (Andy Serkis deve ter dado um help), Thanos é o “vilão que todos queriam ver” no MCU, onde cada uma de suas aparições são épicas e com um PESO de: esse cara é overpower! 

Thanos em Vingadores: Guerra Infinita (Imagem Divulgação)

Sacrifício pelas Jóias do Infinito

Um dos núcleos mais interessantes do filme, com certeza é do background entre Thanos e Gamora (Zoe Saldana). Já havíamos deslumbrado e criamos algumas teorias nos dois primeiros filmes dos Guardiões da Galáxia, mas agora ficou tudo mais claro, real e impactante.

Se de um lado tínhamos uma Gamora desacreditada nos sentimentos de seu pai, do outro, Thanos nutria respeito e quem sabe, um laço familiar com a garota esmeril – o que dá mais ênfase nos sentimentos enciumados de Nebulosa.

Como dito anteriormente, por se tratar de um personagem não tão caótico, e nada daqueles pastelões vilanescos maniqueístas, nós sentimentos a dor da perda quando o grandalhão joga Gamora pelo precipício – por sinal, cena chocante com ela no chão, não? Após uma era de destruição, mortes e guerras, não medir esforços para assassinar sua própria filha em troca da Joia da Alma, foi o meio mais rápido e menos tortuoso para o titã.

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A relação entre Thanos e Gamora (Imagem Divulgação)

Expansão do Universo: da Terra para o Espaço! 

Com mais viagens que Guardiões da Galáxia, conhecemos diversos planetas e revisitamos outros. A fotografia durante todo o filme é impecável, com características e biomas próprios em cada uma das regiões.

Aproveitando a localização das joias do infinito, os Irmãos Russo puderam aproveitar para criar um art concept rico e único; seja com planetas altamente populosos e tecnológicos, e outros em um completo desastre. É aí que entra o núcleo de personagens em Guerra Infinita.

Sem muitas firulas, cada um dos heróis são apresentados de forma dinâmica em seus afazeres domésticos, amorosos ou escolares (inclua Peter Parker aqui). Com o artifício da tecnologia e da magia, a trama entrelaça o encontro do grupo, culminando num clímax em Wakanda, mas ainda sim, sem o reencontro de Stark e Rogers. 

Aqui em Guerra Infinita, temos um marco para o MCU; já que agora eles têm uma diversidade gigante de personagens e linhas de filme, com a expansão do universo para fora da Terra, trazer novas sagas e histórias dos quadrinhos será muito mais fácil, já que não teremos nosso planeta como limitante – e de que as coisas só acontecem por aqui. Alguém pensou em Miss Marvel aí? 

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Não vemos a hora da Carol Danvers entrar em ação!

O Tom de Personagem

Já que temos o vilão como protagonista, não querendo dizer que nossos heróis favoritos foram tratados como simples coadjuvantes, claro que não. Mas para uma gama gigante de diferenças e um elenco enorme – e que deve ficar ainda maior para o 4 – a construção do roteiro foi inteligente lidar mais com as características superficiais do que com as motivações e anseios das personagens.

Isso só foi possível por conta dos dez anos de trabalho, já que cada um ali conhecemos em seus filmes referentes, e sabemos o porquê cada um estar agindo de certa forma ou com um objetivo x e y.

Ainda com relação ao Tom de Narrativa, é interessante ver o trabalho realizado – e que revigorou o personagem – em Thor: Ragnarok com os Guardiões da Galáxia. Pós o último filme do asgardiano vivido por Chris Hemsworth, é fácil encaixar seu universo e narrativa com Peter Quill (Chris Pratt) e cia.  Da mesma forma, temos o núcleo Strange e Stark. Os dois egos mais inflados ali, lado a lado. Com certeza, um dos melhores núcleos criados pelos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely.

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Thor e o Stormbreaker (Imagem Divulgação)

Estética, Cor e Brilho

Uma característica da fotografia, junto com a viagem de planetas que citei anteriormente, é com relação da estética com as Joias do Infinito.

Em cada uma das locações das joias, o roteiro, as cores (color grading), o tom e até mesmo as ações das personagens, são trabalhadas em torno da temática da pedra referente.

Um exemplo, pode ser com a Joia da Alma, o ponto alto do longa onde Thanos mata Gamora. Toda a construção dessa cena tem a temática Vida/Morte/Alma como seus pilares. Por sinal, a fotografia de Vormir é melancolicamente bela, e com a inserção do Caveira Vermelha como “guardião”, fez ser uma das grandes surpresas do longa. Aqui, me remeteu um feels Blizzard Warcraft/Diablo – com vocês também? 

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Caveira Vermelha retorna em Guerra Infinita, agora interpretado por Ross Marquand (Imagem Divulgação)

Edição e Montagem

Enquanto a direção e roteiro trabalharam em uníssono, não podemos dizer da edição e montagem do filme. Não que seja e esteja algo assombroso de assistir – longe disso – mas é reparável o corte brusco em diversas transições de cenas, e em algumas vezes, com o mesmo núcleo de personagens.

Senti uma estranheza no momento em que Thor adquire o Stormbreaker com o “anão gigante” vivido por Peter Dinklage, Eitri, e alguns segundos depois, aparece em Wakanda dizimando todos aqueles minions. Tá certo que é uma das cenas de batalhas mais bacanas de se ver, mas a forma de como montaram ficou aquém – mais ou menos a estranheza da viagem do corvo de três olhos em Game of Thrones na sétima temporada.

Uma suposição para estes cortes, é quanto aos picotes do filme. Por uma questão de números de personagens, trabalhar com uma imensidão deles com a devida notoriedade que cada um apresenta, é difícil. É possível que no corte final, o filme tenha passado das três horas. Para não distribuírem como um filme longo e não perder salas nos cinemas, tentaram enxugar o máximo possível.

Este é um problema que filmes deste porte passam e que devem se submeter a este tipo de consequência, caso não queiram prejuízos nas bilheterias. Mas fica a pergunta: será que com três horas de duração, traria tantas desvantagens assim?

Ferramentas de Roteiro

Algo que eu gosto dos filmes da Marvel, é quando temos um personagem extremamente forte/inteligente, que extrapola os limites dos seus parceiros; o que acaba gerando um gap muito grande de recursos que cada um pode conseguir.

Desde Doutor Estranho e sua belissima ideia de como “derrotar” Dormammu, aqui em Guerra Infinita, esta ferramenta de roteiro funciona muito bem – e várias vezes.

Primeiro, como eliminarmos o Hulk – já que Banner (Mark Ruffalo) está cada vez mais controlando-o. Vamos botar o tanque de guerra verde levar uns cascudos do Thanos e deixá-lo “traumatizado”, não retornando mais neste filme. Não há dúvidas de que o bicho vem quente no filme sequente.

Thanos é overpower? Sim! Mas deixar a trama em que todo mundo vai de encontro a ele, é mais fácil de resolver quando não se tem Thor, Feiticeira Escarlate e Visão.

Cada um com seus poderes reduzidos, seja por falta de arma (Thor), proteção (Wanda) e ferimentos/experimentos (Visão), com certeza o Thanos teria um certo trabalho em combatê-los em full-power. É com isso que os roteiristas tiveram o cuidado de construir um roteiro em que esses personagens não cruzassem com o titã em certos momentos. Sim, tudo é pensado e dá orgulho em como tudo isso foi construído.

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Elizabeth Olsen vive um de seus melhores momentos como Feiticeira Escarlate em Guerra Infinita (Imagem Divulgação)

Referências e Inspirações

Vingadores: Guerra Infinita é um filme intenso, cheio de ação e que nenhum fã botará defeito. Isso é fato. Para a galera que acompanhou todo o MCU nestes dez anos, há uma infinidade de referências a outros filmes, como “Nós temos o Hulk”, por exemplo.

Com relação aos quadrinhos, há muita coisa do Desafio Infinito, claro, com suas devidas adaptações, já que muitos personagens não estão dentro do universo cinematográfico – cadê você Surfista Prateado? 

Fora do mundo da Marvel, é legal as sacadas do Homem Aranha. Enquanto que no Guerra Civil tínhamos a referência com Star Wars, foi bacana o paralelo com a Fox que o Teioso cita Aliens: O Resgate na cena em que eliminam um dos filhos do Thanos.

Ousadia Infinita

Podemos não considerar o melhor filme da Marvel, mesmo que seja um feito praticamente impossível e inviável com a quantidade de IPs que têm-se de trabalhar. Mas podemos considerar, facilmente que é o mais ousado até então – ou até sair o Vingadores 4.

A começar com a quantidade de personagens, e da forma em que cada um teve seu momento de brilho. Daria pra citar cada um, mas estenderia além da conta este artigo. Ok, posso citar Feiticeira Escarlate, Homem de Ferro e Thor como os grandes destaques. Capitão América (Chris Evans) ficou um tanto que escondido, não é mesmo? Mas isso sugere que deve vir algo importante com o personagem no próximo filme.

Outra ousadia do filme é com relação ao protagonismo de um anti-heroi/vilão. Tudo bem que temos Esquadrão Suicida, o vindouro Venom, entre outros. Mas o filme é dos Vingadores e colocar no fim do longa “Thanos Will Return”, foi de explodir a cabeça.

Agora, o que eu mais queria ver e estava no hype para que acontecesse: a vitória de Thanos. É claro que Guerra Infinita termina com um maldito cliffhanger, e de que tem muita história pra contar, mas acabar com a sensação de perda e desolação, foi a cereja do bolo por aqui, e é o que vai dar o que falar. A última vez que tive essa sensação foi com o segundo filme da trilogia Hobbit, e Smaug aparecendo no fim do filme.

Vendo com um olhar macro, de como todo este universo foi construído, é algo de se ter orgulho neste momento nas telonas. Imagino o quão mágico as novas crianças e adolescentes vivem essa fase do cinema episódico e marco do entretenimento. O universo é da Marvel, nós apenas vivemos nele.