quarta-feira, março 4, 2026
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Resident Evil Requiem | A Melhor Celebração dos 30 Anos da Franquia?

Resident Evil Requiem chega como um dos títulos mais aguardados da geração, equilibrando terror clássico e ação moderna em uma homenagem densa aos 30 anos da série. O resultado é quase impecável — mas não isento de falhas.

Resident Evil Requiem é a mais nova entrada da icônica franquia de survival horror da Capcom. O jogo coloca o jogador no controle de dois protagonistas — Leon S. Kennedy, veterano da série, e Grace Ashcroft, uma novata do FBI — em uma narrativa dividida em três atos que alterna entre puro terror e ação frenética.

A promessa é reunir o melhor dos últimos 30 anos da franquia em um único título, e em boa parte, ela é cumprida.

Dois Protagonistas e Dois Jogos em Um

A principal aposta de Resident Evil Requiem está na dualidade entre seus protagonistas, e ela funciona muito bem. O jogo é estruturado em três atos: o primeiro focado em Grace, o segundo em Leon, e o terceiro alternando entre os dois. Essa divisão garante ritmo e variedade, já que os estilos de jogo são completamente diferentes.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

Grace Ashcroft começa a jornada de forma mais vulnerável, o que é uma escolha deliberada e eficaz. Ela se apoia em furtividade, resolução de puzzles e gerenciamento escasso de recursos — os pilares do survival horror clássico. Suas seções iniciais, ambientadas no Hospital Rhodes Hill, são o ápice do terror na série nos últimos anos, com tensão comparável a títulos clássicos como Resident Evil 2. Ao longo da campanha, ela cresce de forma orgânica, terminando o jogo como uma personagem completamente diferente de quando começou — uma evolução bem construída e satisfatória. O trabalho de dublagem de Stephany Custodi para Grace merece destaque especial: a performance é excelente e contribui muito para o desenvolvimento emocional da personagem.

Leon S. Kennedy, por sua vez, traz o que os fãs já conhecem e amam: ação refinada, combate fluido e uma presença carismática. Quem acompanhou o personagem no RE2 Remake e no RE4 Remake vai notar que ele está ainda mais interessante aqui. Um detalhe que não passou despercebido pelos jogadores é uma aliança no dedo de Leon, um elemento que pode indicar camadas adicionais de profundidade em sua jornada — e que certamente vai gerar muita discussão na comunidade.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

Mecanicamente, os dois personagens também se diferenciam de forma inteligente. Leon pode usar uma machadinha para aparar ataques e até mesmo pegar armas e ferramentas derrubadas por inimigos no cenário, incluindo serras elétricas. Grace, por sua vez, utiliza um coletor de sangue infectado para fabricar itens e munição especial, uma mecânica criativa que reforça seu estilo de jogo mais estratégico.

Zumbis com Personalidade: Um Conceito Perturbador e Brilhante

Um dos elementos que mais gostei em Resident Evil Requiem é a forma como os inimigos foram reimaginados. Os infectados do jogo mantêm resquícios de sua personalidade humana anterior — e isso os torna muito mais perturbadores do que os zumbis mecânicos a que estamos acostumados.

O mordomo, mesmo infectado, tenta desempenhar suas funções. A faxineira continua com seu instinto de limpeza — como varrer o sangue do chão caso o jogador deixe rastros e depois te atacar. O açougueiro causa pavor genuíno. Essa atenção ao detalhe humaniza os inimigos de uma forma que amplifica o horror, transformando cada encontro em algo mais do que um simples obstáculo a ser eliminado.

Na parte de Leon, a mistura inclui infectados com perfil de combate e militares da BSAA, o que mantém a variedade e impede que o combate se torne repetitivo.

Design de Cenário: Raccoon City de Volta à Glória

O design de Rhodes Hill é um dos grandes acertos do jogo. A inspiração nos dois primeiros títulos da franquia é clara e bem-vinda. Na primeira jogatina, a desorientação é parte da experiência — mas o ambiente é tão bem construído que, com o tempo, a navegação se torna intuitiva e prazerosa. É um design inteligente, típico de Resident Evil.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

Ver Raccoon City destruída com gráficos de última geração é, sem exagero, emocionante. A franquia sempre nos instigou a imaginar como a cidade estaria após os eventos clássicos, e Resident Evil Requiem entrega essa resposta com riqueza de detalhes. Para os fãs de longa data, certas áreas — incluindo a delegacia RPD — vão provocar uma nostalgia genuína e poderosa.

O fator nostalgia, aliás, é explorado com inteligência. O jogo usa referências à franquia de forma orgânica, sem transformá-las em mero fan service vazio. As músicas e temas clássicos integrados à trilha sonora reforçam essa conexão emocional. Após zerar o jogo, o jogador recebe um relatório detalhado de Grace que amarra elementos que vão principalmente do Code Veronica até Village — uma linha do tempo que satisfaz os fãs mais atentos à lore da série.

História: Boa, Mas Com Tropeços no Terceiro Ato

A narrativa de Resident Evil Requiem flui bem durante a primeira metade. Os personagens são envolventes, o mistério se desenvolve em bom ritmo e as reviravoltas funcionam. O problema aparece no terceiro ato, que sofre de um pacing acelerado demais — aquela sensação de que a história está sendo resolvida às pressas.

O principal prejudicado por esse ritmo atropelado é o antagonista principal, Victor Gideon. Apesar de ter um momento de destaque — incluindo uma perseguição de moto por Raccoon City com Victor armado com um RPG — sua história é excessivamente simples, e ele não chega perto do impacto memorável de vilões como Nemesis ou Birkin. É uma oportunidade perdida para um jogo de tamanha ambição.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

Os demais personagens secundários são competentes, mas vivem à sombra da dupla protagonista. Há muito conteúdo para agradar o fã antigo, e algumas passagens dos jogos clássicos — RE 0, 1 e 2 — permanecem em aberto, sugerindo que a Capcom já planeja desdobramentos futuros, seja em novos títulos ou remakes.

Som e Técnica: Quase Impecável

A mixagem de Resident Evil Requiem é primorosa. Cada detalhe sonoro foi pensado para imergir o jogador — dos ambientes às trocas de pentes nas armas. O design de som complementa perfeitamente o trabalho visual e reforça tanto os momentos de tensão quanto os de ação.

A RE Engine, conhecida por sua otimização em ambientes fechados, entrega uma experiência sólida na maior parte do tempo. Em configurações como a minha, um i5 10400F, 32 GB de RAM e RTX 4060, o jogo roda a cerca de 80 quadros por segundo em resolução 1440p no preset Alto, com efeitos de cabelo ativados. Uma performance impressionante, especialmente considerando a densidade visual do jogo.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

No entanto, em cenários abertos — particularmente ao chegar em Raccoon City — a engine demonstra algum esforço, com stuttering (travadinhas) na versão PC. Problemas com ray tracing e inconsistências na sensibilidade da mira em controles são alguns bugs que acredito que serão resolvidos. Nada que comprometa a experiência de forma crítica, mas pontos que merecem patches de correção.

A possibilidade de alternar livremente entre câmera em primeira e terceira pessoa para ambos os personagens é um diferencial importante. Essa flexibilidade permite que cada jogador customize sua experiência — quem prefere o terror imersivo da primeira pessoa tem essa opção; quem gosta da visão panorâmica da terceira pessoa também é atendido. Na sua primeira run eu recomendo Grace em primeira pessoa e Leon em terceira pessoa.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

O Que Poderia Ser Melhor

Além dos vilões pouco desenvolvidos e do ritmo irregular no terceiro ato, Resident Evil Requiem apresenta outras duas fragilidades que vale mencionar.

Os puzzles são a maior decepção. O jogo opta majoritariamente por entregar arquivos com senhas de cofres e instruções diretas sobre como interagir com determinados itens. A profundidade e criatividade dos enigmas encontrados em Resident Evil 7, ou nos clássicos da franquia, está praticamente ausente. Há um puzzle que gerou bastante discussão nas redes sociais, mas ele é uma exceção isolada em um jogo que claramente priorizou outros aspectos.

A outra crítica relevante é a ausência do modo The Mercenaries no lançamento. Trata-se de um conteúdo que muitos jogadores consideram essencial para a rejogabilidade da franquia, e sua falta deixa o jogo apoiado apenas em sua campanha principal — estimada entre 10 e 16 horas. Pessoalmente, não ligo tanto, mas será muito bem vindo.

Para Quem É Resident Evil Requiem?

Resident Evil Requiem funciona como uma carta de amor aos 30 anos da franquia. Ele pega o melhor do Resident Evil 7 e do Resident Evil 8 — a atmosfera, o horror visceral, a narrativa focada — e combina com o cenário urbano familiar do Resident Evil 2 e do Resident Evil 3, adicionando a jogabilidade de ação refinada do Resident Evil 4 Remake nas seções de Leon. É uma mistura ambiciosa que, na maior parte do tempo, funciona.

Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem | Imagem Divulgação

Fãs de longa data vão se emocionar com os acenos ao passado da série. Novatos têm em Grace Ashcroft um ponto de entrada acessível e bem construído. E quem está no meio-termo vai encontrar um jogo tecnicamente sólido, com bons personagens, inimigos criativos e um design de cenário que é, por si só, uma experiência.

Em um ano marcado por lançamentos divisivos, Resident Evil Requiem se posiciona como um dos títulos mais completos de 2026 — e uma prova de que a Capcom ainda sabe muito bem o que está fazendo com sua franquia mais icônica.

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Review produzido com base em análise da versão de PC cedida pela Capcom. Tempo de campanha: aproximadamente 12 horas na primeira jogatina.

SINOPSE

Réquiem para os mortos. Pesadelo para os vivos. Prepare-se para escapar da morte em uma experiência aterrorizante que vai gelar sua espinha.
BELLAN
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O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.

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