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Grime II expande universo sombrio com ação refinada e lançamento marcado para 31 de março

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Imagem Divulgação

Lançado em 2021, Grime conquistou os fãs de Metroidvania com sua narrativa envolvente e um mundo de inspiração lovecraftiana, ao mesmo tempo estranho e fascinante. Após o sucesso do primeiro título, Grime II chega com a promessa de expandir ainda mais essa experiência, trazendo um universo maior e ainda mais ambicioso que o original.

Anunciado inicialmente apenas para PC, o jogo teve posteriormente sua chegada ao PlayStation 5 e Xbox Series X|S Foi confirmada pela publicadora britânica Kwalee em parceria com o estúdio independente Clover Bite, com lançamento marcado para o dia 31 de março.

Nessa sequência, os fãs de Grime podem esperar uma jogabilidade mais fluída e gráficos melhorados comparado ao seu antecessor. Além dos avanços técnicos, o jogo promete introduzir uma nova variedade de habilidades, acompanhada de um mapa mais amplo e interconectado, tornando a exploração ainda mais rica e recompensadora para os jogadores mais assíduos.

Uma demonstração já está disponível na Steam, permitindo que os jogadores experimentem um pouco do caos artístico e da atmosfera lovecraftiana presentes em Grime.

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Sinopse: Torne-se um ladrão de formas em Grime 2, sequência do aclamado metroidvania de ação e aventura de 2021. Você é um Formless – um mímico artístico que absorve criaturas e invoca moldes ao seu formato. Aventure-se em uma terra nova e misteriosa no universo GRIME, onde o perigo e as maravilhas o aguardam por todo lado. Use o ambiente ao seu redor em conjunto com seus moldes invocados para vencer inimigos mortais e chefes épicos, enquanto explora um mundo profundo, repleto de culturas e personagens diversos. Crie seu próprio estilo de jogo escolhendo entre uma variedade de habilidades, armas e invocações de moldes. Aprenda as características de seus inimigos ao conjurar suas formas para auxiliar no combate e explorar os vários caminhos secretos do mundo.

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ARIRANG: BTS retorna trazendo nostalgia, história, amor e um conforto aos corações de milhões de fãs que os esperaram por 4 anos

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Imagem Divulgação

Com 14 faixas, incluindo “SWIM”  como faixa título, ARIRANG quebrou recordes globais e acalentou o coração de milhões de ARMYs ao redor do mundo. Desde a liberação de todos os membros do BTS do alistamento militar obrigatório sul-coreano, os ARMYs, estavam ansiosos com o retorno oficial do grupo, que entrou em hiato em 2022, entre lágrimas e promessas de retorno. 

Mesmo com todas as atenções voltadas para o que os sete poderiam fazer juntos, a Big Hit Music, responsável pela criação do maior nome do K-pop na atualidade, revelou que o retorno estaria previsto para 2026 e que os fãs também poderiam esperar por uma turnê mundial. 

Ainda durante o segundo semestre de 2025, os integrantes viajaram até Los Angeles, onde a HYBE, corporação da qual a Big Hit faz parte, mantém um escritório, para dar início aos trabalhos em “ARIRANG”, seu quinto álbum de estúdio. O projeto traz consigo o resgate de suas raízes, com lançamento que aconteceu na última sexta, 20 de março. 

A produção conta com a participação de nomes de peso da indústria musical, como Diplo, Mike  WiLL Made-it, GHSTLOOP, colaborador desde MAP OF THE SOUL: 7,  o rapper Teezo Touchdown e o produtor já conhecido pelo ARMY, Pdogg, que está com o BTS desde seu debut em 2013. O disco foi descrito pelos próprios artistas como “uma obra profundamente reflexiva”.

Desde o anúncio do pré-save nas plataformas de streaming, em 14 de janeiro de 2026, fãs ao redor do mundo passaram a teorizar sobre a escolha do título. As buscas pelo significado da palavra coreana “arirang” cresceram rapidamente e, em 18 de fevereiro, o lançamento havia quebrado o recorde global de pré-saves, com mais de 3,4 milhões de usuários salvando ARIRANG no Spotify. 

A estratégia de divulgação também se afastou do padrão da indústria do K-pop e ganhou força com o apoio de plataformas como Netflix, Apple Music e Spotify, que passaram a investir em conteúdos exclusivos do retorno. 

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Imagem Divulgação

Com as descobertas sobre o significado do nome do álbum, teorias de que o grupo usaria acontecimentos históricos nas promoções do projeto foram confirmadas e, em 12 de março, foi ao ar um trailer em formato de animação. Na cena inicial, uma explicação contextualizava a proposta:

Este conteúdo foi inspirado na história de sete jovens coreanos publicada no The Washington Post em 8 de maio de 1896 (“Seven Koreans at Howard”) e nos registros de que alguns deles realizaram, em 24 de julho do mesmo ano, em Washington, D.C., a primeira gravação de áudio conhecida de coreanos.

Como uma reimaginação contemporânea, esta obra se baseia no profundo significado cultural desses registros históricos, que preservam as vozes autênticas de jovens coreanos e a primeira gravação já realizada de “Arirang”.

Esta produção pode apresentar diferenças em relação aos acontecimentos históricos reais e não constitui uma avaliação ou interpretação formal de qualquer evento ou personagem histórico.

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Trechos retirados do vídeo “(ARIRANG)’ Animation Trailer: What is your love song?”, disponível no YouTube.

As gravações feitas pela antropóloga Alice Cunningham Fletcher, em 1896, foram um importante marco de intercâmbio cultural, quando sete jovens estudantes coreanos gravaram algumas canções, entre elas o arirang. Descrita como uma música folclórica, não se tem registro preciso sobre seu surgimento, mas seu significado representa temas como amor, nostalgia, saudade, nação, resistência e superação. 

Segundo o professor Robert Provine: Os sete se instalaram na Universidade de Howard, em Washington, D.C., onde foram apresentados a Alice, que realizou as gravações  por meio de cilindros de cera, tecnologia muito utilizados na época (você pode assistir na íntegra a palestra  do professor Robert Provine de 2009 através deste link.). 

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A antropóloga Alice C. Fletcher / Imagem Divulgação
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Cilindros das gravações de “arirang”. Os registros hoje pertencem à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

O símbolo dos cilindros esteve presente durante toda a promoção do BTS para o Spotify, e os ouvintes puderam interagir com a plataforma na tentativa de descobrir mensagens secretas com as vozes de cada membro. 

Jimin descreveu SWIM, faixa-título do álbum, como um início para um novo capítulo: 

Nosso single principal, “SWIM”, tem um significado muito especial dentro do nosso novo álbum, ARIRANG.

Se o álbum fala sobre nossas raízes e emoções profundas, “SWIM” representa o nosso ‘presente’ – onde estamos agora. Acho que essa música marca o início de um novo capítulo para o BTS. Como uma corrente que nunca para de fluir, queríamos mostrar que ainda estamos seguindo em frente, no nosso próprio ritmo. A música realmente conecta nossas histórias passadas com nossos sonhos para o futuro, então, por favor, aguardem ansiosamente.

Outros elementos da cultura e história da Coreia também apareceram ao longo do álbum. Em Body to Body, é possível ouvir um trecho da famosa sample Bonjo Arirang: “Arirang, arirayo. Atravessando o morro Arirang. Quem me deixar pra trás, não vai andar 16 km sem machucar os pés.”

Na faixa intitulada No.29, que para muitos pode ter soado como um grande silêncio, é possível ouvir o som marcante do sino de bronze, considerado o 29° tesouro nacional da Coreia, seguido de um som quase imperceptível de ondas do mar.

Além disso, o ativista Kim Gu, citado em Aliens. Ele foi uma figura importante na luta pela libertação da Coreia durante o domínio colonial japonês e também na defesa da reunificação das Coreias, enquanto os artistas cantam sobre como artistas coreanos são vistos pela indústria externa: “Desde o nascimento somos diferentes, 7 aliens”. 

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O sino Sagrado do Rei Songdeok
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O ativista Kim Gu / Imagem Divulgação

Ao ouvirmos todas as canções que compõem ARIRANG, a mensagem que o BTS deseja transmitir fica clara: Este é um álbum sobre quem eles são e sobre o que eles ansiosamente desejaram falar durante a época de reclusão, uma obra para os fãs que os esperaram por anos. Em entrevista a repórter Lee Min-Ji, RM, líder do BTS, fala sobre os critérios que eles utilizaram para incorporar os elementos coreanos: 

“Em vez de incorporar elementos coreanos exatamente como são, dentro de uma estrutura fixa, queríamos expressá-los naturalmente, à nossa maneira. Isso porque acreditamos que as emoções são transmitidas de forma mais abrangente quando variações sutis e nossas próprias interpretações únicas são adicionadas. Queríamos pegar ‘Arirang’, que pode ser interpretada de várias maneiras, e tentar abordá-la de uma forma um pouco diferente, reinterpretando-a de uma nova maneira.”

Apesar das expectativas da parte do público de que o lançamento seria inteiramente em coreano, o grupo reforça o conceito de intercâmbio cultural que vinha construindo ao longo das suas promoções e incorpora o inglês em diversas faixas. A escolha, no entanto, levantou debates e frustrações, com alguns grupos de fãs interpretando o movimento como se eles tivessem cedido à indústria e até o afastamento de suas raízes. 

Segundo a pesquisadora, artista de dança e arte-educadora, Yasmin Chung, vinculada a instituição de pesquisa independente, B-ARMYs Acadêmicas:

“A partir da minha vivência como pessoa da diáspora, especificamente taiwanesa, aqui no Ocidente. Por causa do orientalismo tem-se uma expectativa do que é ser, no meu caso, taiwanesa, no caso deles, coreanos, do que é ser asiático. E não é nem especificamente da nacionalidade, mas o que é uma pessoa do Leste-Asiático, porque por aqui ainda se coloca muito ‘no mesmo saquinho’. 

E, uma vez que eles trouxeram a público esse desejo de ‘nós queremos voltar às nossas raízes, queremos sempre promover, de certa forma, a cultura coreana’, as pessoas esperam muito, ao meu ver, de que isso também seja pelo idioma. Só que, não necessariamente eles deixaram de transmitir aspectos culturais da Coreia do Sul, do que é ser coreano e da história deles, por escolherem o inglês. Eles não deixaram de ser homens sul-coreanos, eles não deixaram de ser artistas por uma escolha que também pode sim, ter um viés artístico.”

Performance para a premiação coreana, Melon Music Awards, em 2018. A apresentação tornou-se um patrimônio imaterial coreano:

Yasmin também cita o pesquisador Edward Said, autor da obra Orientalismo: O oriente como invenção do Ocidente, ela lembra que nele o autor discute como o Ocidente constrói essa ideia de “Oriente” para se diferenciar e exercer controle: 

“Enquanto existir essa narrativa de poder, nada do que qualquer pessoa racializada faça vai ser suficiente para ela ser ela mesma, porque a própria existência dela não é suficiente aos olhos de quem está no poder.” 

Para ela, é natural criar expectativa, mas ela pertence a quem as cria, e não precisam ser correspondidas:

“Nós, pessoas amarelas, não precisamos cumprir expectativas que criaram sobre nós, de como nós devemos agir, de como nós devemos nos comportar, de como nós devemos nos expressar. Porque nunca vai ser suficiente para as pessoas racializadas a expressão cultural delas.” 

Ao ler as traduções das letras de cada música, percebe-se que o tema principal conversa diretamente com essa discussão: expectativas. Em they don’t know about us, o BTS aborda como as pessoas tentam especular sobre quem eles são e como eles conseguiram chegar até ali:

Todo mundo escuta a história que quer ouvir. “Eles estouraram por causa disso”, acham que tão certos. Somos só caras grandes, tipo caipiras. É só atitude mesmo, então cala a boca […] Toda vez que a gente tenta explicar, a gente percebe: Eles não sabem sobre nós, eles não sabem sobre nós

Apesar de muita espera, o que marca esse retorno é uma mensagem de saudade, acalento e reafirmação, com uma produção mais focada em sua própria história e em despertar uma nostalgia nos fãs que os acompanham há anos. Com ARIRANG, o ARMY pôde revisitar os anos iniciais do BTS, como nas obras “DARK & WILD”, lançada em 2014 e “Wings”, de 2016. Em entrevista, SUGA, explica que decidiram que ARIRANG não seria sobre uma grande mensagem, mas sobre eles mesmos. 

O álbum revela um lado mais intimista, que pode não agradar a todos os públicos, mas já vem recebendo boas avaliações de críticos de veículos como The Guardian, Clash, Rolling Stone UK e Consequence of Sound. Quando perguntados sobre os elementos coreanos nas músicas, j-hope explica: 

“Também incorporamos a empolgação e a cultura da Coreia nas letras do novo álbum. Tentamos criar mais “pontos de encontro entre nós sete” em vários aspectos. Acredito que retornar e mostrar quem somos significa, em última análise, começar pelas nossas raízes. Acredito que somos quem somos hoje porque essas raízes se fortaleceram enquanto estávamos juntos.”

A live da Netflix, que aconteceu neste sábado, dia 21 de março, às 8 horas, foi um marco do retorno do grupo aos palcos. Entre as músicas novas e sucessos já conhecidos, como Mic Drop, Dynamite, Butter e finalizando com a emocional Mikrokosmos, milhares de pessoas, de diferentes partes do mundo, acompanharam ao vivo na Gwanghwamun Square, ponto turístico que possui 600 anos de história. Ao fundo do palco, era possível ver o Palácio Gyeongbokgung, enquanto imagens aéreas também destacavam o monumento do Grande Rei Sejong, criador do Hangul (escrita coreana). 

Em uma versão moderna e elegante, os integrantes usavam peças do hanbok, vestimenta tradicional coreana, e a abertura contou com Body to Body e uma banda interpretando Arirang. Para a internacionalista Ana Clara Gomes, que acompanha o BTS desde 2017, o momento foi ainda mais especial do que o esperado: 

“Eu esperava que ia ser maravilhoso, mas excedeu minhas expectativas. Eu fiquei extasiada do minuto um até o minuto final. Fiquei muito animada! Não esperava que eles fossem incluir músicas antigas na setlist desse show, e foi mágico ver as músicas depois do lançamento do álbum novo ao vivo, conseguiram ficar melhores ainda. 

Foi mágico ver eles juntos de novo depois de tanto tempo de espera por esse retorno. E ouvir as músicas antigas agora e se reconectar com algo que a gente já conhecia, mas também se reconectar com algo que a gente conheceu um dia atrás. Acredito que ver eles felizes e as ARMYs que passaram no telão, é você sentir um pertencimento, uma sensação de êxtase, de alegria. “

Um pouco depois do lançamento do álbum, os fãs foram surpreendidos por uma nota oficial da empresa do grupo informando que RM, havia machucado o tornozelo no dia anterior e, por recomendação médica, participaria das atividades com algumas restrições. Para um grupo reconhecido por suas coreografias desafiadoras, a notícia gerou preocupação, mas o artista acalmou os fãs durante a live realizada no YouTube na madrugada do dia 20 de março: 

“Durante os ensaios, me esforcei bastante e acabei lesionando o tornozelo. Não vou poder me apresentar imediatamente, mas estarei no palco para encontrar vocês. Cantarei e animarei a todos! Farei o possível para me recuperar a tempo dos shows. Por favor, não se preocupem, não é nada grave.”  

Para Dan, DJ e fã do grupo desde 2015, a notícia do incidente durante os ensaios foi um momento de inquietação: “Não pela simples expectativa de ver ele, mas pelo que estaria passando pela cabeça dele e um possível medo de decepcionar, ‘estragar tudo’. Saber que ele estará ali e entregará sua voz, mesmo sem dançar e dentro de restrições, é o mais importante. Espero que ele possa receber nossa torcida e ver que cada grama de seu esforço é muito reconhecida.” E apesar das limitações, a performance saiu como esperado, alegrando todos os fãs. 

A plataforma de streaming, além de transmitir o primeiro show ao vivo do grupo após o hiato, também disponibilizará em sua grade o documentário BTS: O reencontro, no dia 27 de março, que contará com os bastidores desde a saída dos membros do exército até a produção de ARIRANG. Para Ana Clara, o documentário surge como uma oportunidade de mostrar o outro lado do que aconteceu durante os últimos 4 anos: 

“Como ARMY a gente sabe como foi para a gente, como foi doloroso e ao mesmo tempo transformador, porque a gente passou por muitas fases. A gente viu eles de outras maneiras, a gente sempre pensou muito sobre o exército, mas nunca tínhamos vivenciado. Então eu acho que o fandom está com expectativa de ver como foi para eles estarem passando por todos esses anos sem estarem juntos como o ato que é o BTS.” 

Para 2026, além do retorno do grupo, o anúncio da turnê mundial tem deixado fãs de todo o mundo ansiosos e cheios de expectativas. Com três shows anunciados no Brasil, nos dias 28, 30 e 31 de outubro de 2026, os ARMYs brasileiros estão agitados com a falta de informações sobre data de início de vendas, ticketeira responsável e valores. Enquanto isso, em outros países, os ingressos já se esgotaram em estádios, mas espera-se que as informações sejam divulgadas nos próximos dias. 

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Imagem divulgada pelo perfil do artista.

Enquanto os próximos passos ainda aguardam anúncio e os fãs seguem na expectativa, ARIRANG já cumpre seu papel: reconectar. Assim como “Arirang” atravessou gerações carregando histórias, o BTS transforma sua própria trajetória em memória e continuidade. 

Depois de anos de espera, este álbum entrega não apenas música, mas presença. Para quem ficou, para quem esperou e para quem cresceu junto, o retorno do BTS não marca um fim de hiato, mas a continuidade de uma história que nunca deixou de ser construída em conjunto.

Ouça ARIRANG no Spotify:


Alice C. Fletcher e Arirang: https://www.loc.gov/item/2021688047/?loclr-blogflt 

Entrevista Lee Min-Ji: https://m.entertain.naver.com/home/article/609/0001104630 

Kim Gu: https://www.hyunjinmoon.com/kim-gus-dream-one-korea-2/ 

Sino Sagrado do Rei Songdeok: https://english.visitkorea.or.kr/svc/contents/contentsView.do?vcontsId=94420

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Super Alloy Crush está chegando para detonar

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Sucogamer, se você é fã de pancadaria franca com sistema de roguelike e fã da franquia Mega Man, fique de olho em Super Aloy Crush. Com seu lançamento programado para o dia 8 de abril de 2026, o título da desenvolvedora Alloy Mushroom trará uma ação frenética do começo ao fim:

Para começo de jogo no Acesso Antecipado, Super Alloy Crush trará 3 capítulos da história e 7 chefes com mais de 100 habilidades para você explorar e adaptar seu estilo de jogo. Além disso, a previsão para a continuidade de conteúdo contará com Capítulo 3, novos personagens e muito mais.

Parabéns, você está a bordo da Ranger, onde os heróis viajam entre planetas em busca do planeta AE-38, o maior tesouro do cosmos. Diversos modos para vocês se divertirem, dentre eles:

  • História: onde você explora o mundo e libera novos personagens;
  • Batalha intensa: que traz o sistema de começar do zero toda vez;
  • Desafio supremo: no qual você terá que provar que sabe tudo do jogo!

Não se esqueça de deixar na sua lista de desejos para não esquecer o lançamento de Super Alloy Crush. Comece a aventura com Muu ou Kelly e desbloqueie muito mais! Dentre robôs lutadores a humanos adaptados, explore e detone! Clique aqui e já garanta seu passe para a nave Ranger, enquanto testa a demo disponível!

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Temporada 4 de Synduality Echo of Ada chegou

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A Bandai Namco Entertainment anunciou a chegada da nova Temporada de Synduality Echo of Ada. A 4ª Temporada do shooter de extração PvPvE traz novos recursos, novas áreas e novidades para os Drifters, nossos amados mechas.

Explore o novo mapa “Sunny Polluted Forest” com a nova área “Sangiovese Hideout”, recheada de novas armas APK. Dentre elas, o Burst Assault Rifle LE, o Grenade Launcher e a Submachine Gun LE. Além disso, um novo sistema de Expansão de Memória também permitirá fortalecer as afinidades de armas e habilidades dos Magus.

Para aqueles que adquirirem o Passe Drifter Deluxe ou Ultimate, receberão o novo Cradle RITADARKKNIGHT durante os níveis do Pacote Drifter. Entre na nova temporada de Synduality Echo of Ada, um mundo futurista onde a humanidade foi quase totalmente dizimada e criaturas caçam o que sobrou. Entre no Drifter e ajude a humanidade a sobreviver aos efeitos do pós-apocalipse coletando cristais AI com auxílio do seu Magus. Clique abaixo e confira mais informações:

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South City recebe Blue Mary em Fatal Fury: City of the Wolves

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Está na hora de receber a próxima lutadora de Fatal Fury: City of the Wolves que faz parte do Passe de Temporada 2 e chega dia 26 de março de 2026. Blue Mary, que fez sua estreia em Fatal Fury 3: Road to the Final Victory em 1995, retorna as raízes. Confira o trailer de apresentação:

A agente especial de South City após resolver mais um caso quer apenas o descanso. Porém Geese e os Pergaminhos Sagrados não vai deixar a jovem ter seu merecido descanso. Blue Mary, com seu estilo Sambo, vai para as ruas em busca de mais um torneio King of Fighters em busca de Geese e informações do pergaminhos no Modo Arcade.

Enquanto no Modo Episódios, Ela vai investigar o desaparecimento de Marky, um jovem que pode estar envolvido num crime, após a ligação do Guardião Kevin Rian, agente da SWAT e contato de Blue Mary.

Com uma jogabilidade de técnicas de agarrão e arremesso, Blue Mary não deixa espaços para seus oponentes pensarem muito. Então agarre essa oportunidade e comece agora mesmo sua jornada para Fatal Fury: City of Wolves.

Blue Mary é a terceira personagem do Passe de Temporada 2 que já conta com Kim Jae Hoon e Nightmare Geese. Em abril chega outro poderoso personagem temido da franquia: Wolfgang Krauser e ainda mais dois, que não foram revelados! Confira abaixo e escolha sua plataforma para mais informações:

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Trailer de Jogabilidade de Captain Tsubasa 2: World Fighters é lançado

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“Arredonda o seu ai, que eu arredondo o meu aqui”, que o trailer do novo jogo da franquia Captain Tsubasa traz a jogabilidade do capitão. Captain Tsubasa 2: World Fighters tem lançamento previsto para esse ano e a Bandai Namco Entertaiment vai trazer a essência do futebol arte japonês, a intensidade e as mecânicas que vão balançar as redes:

  • Ações Max: jogadas de alto risco e alta recompensa que ditam as disputas ofensivas e defensivas.
  • Super Moves: habilidades específicas dos personagens de cada posição, incluindo Super Shots, Super Passes, Super Dribbles e Super Tackles.
  • Sistema Chain: acumule momentum com dribles, passes e ações especiais para aumentar o poder de finalização e a velocidade de Charge.
  • Táticas do Goleiro: previsão de chutes em seis direções, disputas baseadas em stamina e a mecânica BREAK, que reduz permanentemente a estamina do goleiro.
  • Ações Miracle: momentos raros e dramáticos trazem reviravoltas que podem mudar o rumo da partida, capturando o espírito imprevisível da série original.

Dentre chutes mágicos e acrobacias espetaculares com a redonda no tape esmeraldino, cada partida de futebol é um filme. Reflexos, estratégia e paixão, os fãs de futebol vão ter isso e muito mais ainda esse ano para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam. Por fim, não deixe de marcar o gol da vitória em Captain Tsubasa 2: World Fighters. Clique abaixo e confira mais detalhes:

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Chuck Norris morre aos 86 anos; família confirma falecimento

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O ator e artista marcial Chuck Norris morreu nesta sexta-feira (20) aos 86 anos. A morte foi confirmada pela família por meio das redes sociais do artista. A causa do falecimento não foi revelada.

Norris havia sido internado no dia 18 de março na ilha de Kauai, no Havaí. Segundo a nota da família, ele estava cercado pelos entes queridos e “em paz” no momento da morte.

Nota oficial da família

Em comunicado, a família descreveu o falecimento como “repentino” e pediu privacidade durante o período de luto:

“Para o mundo, ele era um artista marcial, ator e um símbolo de força. Para nós, ele era um marido dedicado, um pai e avô amoroso, um irmão incrível e o coração da nossa família.”

A nota ressalta ainda que Norris “viveu sua vida com fé, propósito e um compromisso inabalável com as pessoas que amava”, e agradece o apoio dos fãs ao longo dos anos.

Da Força Aérea ao estrelato em Hollywood

Nascido no estado de Oklahoma, nos EUA, Norris serviu na Força Aérea norte-americana entre 1959 e 1962. Após a licença militar, dedicou-se à carreira de lutador profissional, conquistando títulos nacionais de artes marciais.

Foi nesse período que conheceu Bruce Lee. A amizade rendeu um convite para interpretar o antagonista em O Voo do Dragão (1972), produção que consagrou Lee internacionalmente e abriu as portas de Hollywood para Norris.

Os filmes Comboio da Carga Pesada (1977) e Os Bons se Vestem de Negro (1978) consolidaram sua viabilidade como estrela de ação norte-americana — uma aposta estratégica dos estúdios, que observavam o crescimento do cinema asiático no gênero.

Franquia Braddock e os grandes sucessos dos anos 1980

Ao longo da década, Norris estrelou produções como Força Destruidora (1979), Fúria Silenciosa (1982), Vingança Forçada (1982) e McQuade: O Lobo Solitário (1983), entre outros.

Em 1984, Braddock: O Super Comando deu ao ator sua franquia mais marcante nas telas grandes, com continuações em 1985 e 1988.

Televisão, literatura e os anos mais recentes

Na década de 1990, Norris se reinventou na TV com a série Chuck Norris: O Homem da Lei (1993–2001), na qual interpretou Cordell Walker, um policial durão de Dallas — papel que reprisou em telefilmes e aparições especiais até 2005.

Nos anos seguintes, fez participações em Os Mercenários 2 (2012), Os Goldbergs (2015) e Hawaii Five-0 (2020), frequentemente interpretando a si mesmo. Também aproveitou a popularidade dos “fatos sobre Chuck Norris” — memes exagerados sobre suas habilidades marciais — em turnês e aparições especiais.

Na literatura, assinou os livros The Justice Riders (2006) e A Threat to Justice (2007).

Chuck Norris deixa sua esposa, Gena O’Kelley, e cinco filhos, incluindo o ator Mike Norris.

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O Morro dos Ventos Uivantes | Gótico, Sobrenatural e Folclore na Obra de Emily Brontë

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Quando O Morro dos Ventos Uivantes foi publicado, em 1847, o romance gótico já tinha seus clichês bem estabelecidos: castelos medievais, donzelas em perigo, vilões de capa e punhal. Emily Brontë ignorou tudo isso — e ao ignorar, reinventou o gênero.

O horror que ela construiu não habita ruínas arquitetônicas. Ele mora nos “cantos escuros da mente humana”, como a crítica literária batizou o que ficou conhecido como Gótico Psicológico. As duas casas centrais da narrativa — Wuthering Heights e Thrushcross Grange — não são meros cenários. São extensões das almas que as habitam e já falei isso nos reviews do LIVRO e do FILME da Margot Robbie.

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Representação da casa no Morro dos Ventos Uivantes

Wuthering Heights é rústica, tempestuosa, “endemoninhada”. O próprio nome já entrega tudo: wuthering é uma palavra dialetal de Yorkshire para descrever o tempo feroz, os ventos que uivam sem piedade. A casa não é um lugar passivo. Ela respira, late, sussurra. Seus uivos e ventos cortantes, os raios que a açoitam nas noites de tempestade, constroem uma atmosfera de coisa viva — uma entidade que compartilha o estado emocional dos que vivem entre suas paredes.

Thrushcross Grange, por outro lado, representa o civilizado, o refinado, o mundo burguês vitoriano com seus tapetes e suas convenções. O conflito entre as duas propriedades não é apenas geográfico nem social: é a batalha entre o instinto e a norma, entre a paixão selvagem e o decoro sufocante.

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Representação da Granja Thrushcross

Catherine sente-se prisioneira em Thrushcross Grange — ela chama o lugar de “abismo”. Heathcliff, na segunda geração, literalmente tranca a jovem Cathy e Hareton em Wuthering Heights. O aprisionamento, tema clássico do gótico, é aqui transposto para a esfera doméstica e sentimental.

Heathcliff: Demônio, Sátiro ou Changeling?

Nenhuma discussão sobre o sobrenatural em O Morro dos Ventos Uivantes consegue escapar de Heathcliff. Ele é o núcleo gravitacional de toda a estranheza que a obra emana — e sua origem deliberadamente obscura é a fonte de grande parte do fascínio que exerce há quase dois séculos.

O próprio Mr. Earnshaw o traz de Liverpool como um presente misterioso, sem nome, sem família, sem passado verificável. Surge do nada. E desde o início, os outros personagens o percebem como algo que não pertence inteiramente ao mundo humano.

Os rótulos que a narrativa cola nele são reveladores: “demônio”, “filhote de Satanás”, “vampiro”, “ghoul”. Não são insultos casuais — são categorias do imaginário folclórico e religioso. Personagens chamam Heathcliff de imp of Satan, associando-o diretamente à tradição popular que demoniza o estranho, o órfão sem origem conhecida, aquele que não se encaixa em nenhuma genealogia reconhecível.

Uma das interpretações mais fascinantes o aproxima da figura do Changeling — a criança feérica que, segundo o folclore celta irlandês e da Cornualha, era trocada por um bebê humano. O Changeling não tem raízes, semeia o caos onde é inserido, e carrega consigo algo irremediavelmente alienígena. Heathcliff cumpre esse roteiro com precisão perturbadora: surge do nada, desestrutura uma família inteira e funciona como um elemento de desordem que a lógica social não consegue conter.

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Figura do changeling / Imagem Divulgação

Mas há outras dimensões na sua figura que merecem atenção. Há algo do Sátiro em Heathcliff — a criatura mitológica que habita as fronteiras entre o humano e o animal, entre a civilização e o mundo selvagem. Sua conexão com as charnecas, seu corpo que parece feito do mesmo material que os ventos e as rochas de Yorkshire, seu desprezo total pelas convenções sociais e morais: tudo isso o aproxima de uma força da natureza mais do que de um homem. Ele não apenas frequenta o espaço selvagem. Ele é, em alguma medida, uma manifestação desse espaço.

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Sátiro / Imagem Divulgação

E então há a figura do Diabo. Não o demônio de chifres e tridente do imaginário popular, mas o Adversário da tradição judaico-cristã: aquele que deseja com uma intensidade que transgride todos os limites, que é capaz de destruir o que ama porque o amor e a destruição são, para ele, a mesma coisa. Heathcliff é movido por uma paixão que não distingue entre devotar-se e devorar. Ele personifica o mal moral não porque seja simplesmente cruel, mas porque sua obsessão por Catherine o coloca além de qualquer sistema ético convencional.

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Ao mesmo tempo, Brontë nos lembra que Heathcliff também foi vítima — da crueldade de Hindley, do preconceito de classe, da traição de Catherine ao casamento com Edgar Linton. Essa ambiguidade é parte da genialidade da obra: ele é agente e vítima de atos terríveis, anti-herói byroniano por excelência, e é justamente por isso que não conseguimos simplesmente descartá-lo como um vilão.

Nelly Dean: A Narradora que Pode Ser a Vilã

Entre todas as personagens de O Morro dos Ventos Uivantes, Nelly Dean ocupa uma posição peculiar e frequentemente subestimada. Ela é a narradora central da história — é ela quem conta tudo ao visitante Lockwood, e é pela sua voz que conhecemos os acontecimentos de décadas passadas.

Mas Nelly não é uma observadora neutra. Ela está presente em praticamente todos os momentos críticos da narrativa: mortes, crises, rupturas. Pessoas morrem ao seu redor com uma frequência que vai além da coincidência narrativa. E suas intervenções — ora retendo informações, ora tomando decisões no lugar dos outros — moldam os destinos dos personagens de maneiras que ela jamais reconhece abertamente.

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Hong Chau como Nelly Dean em O Morro dos Ventos Uivantes / Imagem Divulgação

Há uma corrente crítica que enxerga (eu mesmo) em Nelly algo próximo de uma bruxa — não no sentido de rituais e poções, mas no sentido folclórico mais profundo: a mulher que sabe mais do que deveria, que está sempre nos bastidores dos eventos mais sombrios, que exerce um poder velado sobre os outros ao mesmo tempo em que fingi ser apenas uma serva. James Hafley, declarou em 1950-60 sobre Nelly ser a verdadeira vilã do romance.

Ela conhece os segredos de todos, manipula situações com a sabedoria aparentemente inocente de quem “só está tentando ajudar”, e sua lealdade nunca é completamente clara. Para quem Nelly realmente trabalha? O que ela omite, e por quê? Essas perguntas não têm resposta definitiva no texto — e essa ambiguidade é, ela mesma, uma característica do sobrenatural brontëano. Nelly é uma vilã em potencial que o romance se recusa a nomear como tal.

As Charnecas de Yorkshire: Uma Paisagem que É Personagem

Se Heathcliff é a encarnação do poder selvagem e indomável, as charnecas de Yorkshire são o território onde esse poder encontra sua expressão mais pura. Em O Morro dos Ventos Uivantes, as moors não são um cenário de fundo — elas são uma presença ativa, quase uma personagem com agência própria.

Míticas, soturnas, enigmáticas e nebulosas: as charnecas funcionam como um espaço liminar, uma zona de fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos, entre a civilização e o caos. É nelas que Catherine e Heathcliff constroem sua infância de liberdade selvagem. É nelas que os fantasmas são vistos vagando após as mortes dos protagonistas. É nelas que a lógica do mundo ordenado e burguês simplesmente não se aplica.

charneca
Para você se situar, a obra se passa em uma região de charneca.

A tradição folclórica do norte rural da Inglaterra sempre atribuiu às charnecas um estatuto especial: lugares onde espíritos errantes podem ser encontrados, onde a separação entre o natural e o sobrenatural se dissolve. Emily Brontë, criada em Haworth, no coração desse território, respirou essas histórias desde a infância. A criada da família Brontë, Tabby Aykroyd, era conhecedora das tradições orais locais — e sua influência na obra de Emily é significativa.

As tempestades que assolam as charnecas não são apenas fenômenos meteorológicos no romance. Elas acompanham os momentos de maior intensidade dramática — mortes, rupturas, revelações. Esse uso do tempo como presságio é um elemento clássico do weather lore, a superstição meteorológica da tradição rural inglesa, que lê o clima como sinal do mundo espiritual. O próprio título da obra, com o wuthering que nomeia o vento feroz, faz desta ligação entre natureza e assombro o coração semântico do livro.

O Sobrenatural que Nunca Se Resolve

Em muitos romances góticos do século XIX, o sobrenatural acaba sendo explicado: era um disfarce, era um sonho, era uma alucinação. Emily Brontë recusa esse conforto.

A cena mais famosa e mais perturbadora do livro é a que abre a narrativa: o visitante Lockwood, dormindo no quarto de Catherine, acorda com uma mão gélida de criança tentando entrar pela janela, chamando por Heathcliff. O próprio Lockwood narra o episódio de modo que nunca saberemos ao certo se foi um pesadelo ou uma aparição real. Brontë constrói a ambiguidade com precisão cirúrgica — e não a resolve. Não resolveu pra mim, no caso.

Isso coloca o romance em território que o teórico Tzvetan Todorov chamaria de fantástico: o espaço onde o leitor hesita entre uma explicação natural e uma sobrenatural, sem que o texto ofereça resolução definitiva. Os fantasmas de O Morro dos Ventos Uivantes são psicológicos e reais ao mesmo tempo, e é justamente essa indeterminação que os torna perturbadores.

A morte de Heathcliff replica essa ambiguidade. Ele para de comer, parece ver algo que os outros não veem — o espírito de Catherine, sugerem alguns personagens —, e morre com um sorriso macabro e os olhos que se recusam a fechar. Há a sugestão de que ele mesmo abriu a janela para permitir a entrada do fantasma da amada. A união que foi negada em vida se cumpriria, então, na morte?

fantasma catherine wuthering heights

O romance não responde. Ele encerra com relatos de aldeões que juram ter visto os dois fantasmas vagando juntos pelos morros em noites de tempestade. Esses relatos não são apresentados como crença ingênua: eles são a última palavra da narrativa, e Brontë os trata com a seriedade das histórias orais que circulavam pelas vilas de Yorkshire há gerações.

O Folclore Vivo de Yorkshire: Ponden Kirk e os Changelings

A influência do folclore em O Morro dos Ventos Uivantes vai além da atmosfera. Há referências a lendas específicas e identificáveis — e a mais impressionante delas é a do Penistone Crag, o Penedo de Penistone da narrativa.

Emily Brontë baseou esse local na lenda real de Ponden Kirk, uma formação rochosa local que carregava uma crença popular específica: casais que rastejassem juntos por uma fenda na pedra se casariam em um ano; se a mulher passasse pela fenda sem o homem, morreria em breve.

ponden kirk
Esse Ponden Kirk me lembra uma cena de Your Name

 

No romance, Catherine rasteja por Ponden Kirk com Heathcliff na infância. Mas é com Edgar Linton que ela se casa. Dentro da lógica folclórica que Brontë tece na obra, esse desvio do rito selou seu destino trágico. A pedra não perdoa a quebra do pacto.

Joseph e a Religiosidade Popular: Entre o Metodismo e a Demonologia

O servo Joseph é um dos personagens mais ignorados da obra e um dos mais ricos para entender a camada folclórica do romance. Ele encarna uma religiosidade rural rígida, ligada ao metodismo de Yorkshire, mas profundamente atravessada pela superstição.

Para Joseph, Heathcliff é literalmente uma encarnação demoníaca — não como metáfora, mas como convicção teológica popular. Suas interpretações do que acontece em Wuthering Heights são sempre filtradas por uma visão de mundo onde demônios, castigos divinos e presságios são parte do cotidiano. Seu dialeto cerrado, sua linguagem bíblica e sua paranoia religiosa posicionam o romance dentro de uma tradição de cristianismo popular onde o sobrenatural nunca está longe.

O Duplo: Catherine e Heathcliff Como Uma Só Entidade

Uma das declarações mais citadas de toda a literatura inglesa está em O Morro dos Ventos Uivantes: “Eu sou Heathcliff.” Com essa afirmação, Catherine não apenas expressa amor — ela dissolve a fronteira entre duas identidades.

Catherine e Heathcliff formam o que a crítica gótica chama de Doppelgänger, o duplo: duas manifestações de uma mesma essência, que se reconhecem mutuamente como um espelho. Essa fusão vai além do romance convencional. Ela sugere uma forma de existência que ultrapassa os limites do corpo e da morte — e é por isso que a morte de Catherine não encerra a história, mas a assombra até a última página.

Se eles são dois aspectos de uma única entidade, então a morte de um é a mutilação do outro. E a busca de Heathcliff, por décadas, não é simplesmente por vingança ou por poder: é pela restauração de uma inteireza que foi violentamente partida.

Por Que O Morro dos Ventos Uivantes Ainda Nos Assombra

Quase 180 anos depois de sua publicação, O Morro dos Ventos Uivantes continua sendo um dos romances mais perturbadores da literatura ocidental. Não porque tenha monstros ou sustos — mas porque Emily Brontë entendeu que o horror mais duradouro é aquele que não se deixa resolver.

Os fantasmas da obra não são explicados. Heathcliff não é categorizado. As charnecas não são domadas. Nelly não é julgada. A pedra de Ponden Kirk não solta sua vítima.

Brontë fundiu o gótico, o sobrenatural e o folclore como estrutura que sustentam a lógica emocional e narrativa da obra. Sem eles, O Morro dos Ventos Uivantes seria apenas um romance sobre duas pessoas que não conseguiram ficar juntas. Com eles, é uma investigação sobre o que acontece quando a paixão humana encontra as forças que governam o mundo além do humano — e recusa-se a recuar. Recusa-se a recusar!

catherine heathcliff
Catherine & Heathcliff / Não achei o crédito dessa obra incrível!

E é por isso que, em noites de tempestade, ainda parece plausível que dois vultos caminhem juntos pelas charnecas de Yorkshire.

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