4 músicos. Milhões de trabalhos vendidos na Ásia e em todo o mundo. 25 anos de carreira. Há anos, uma das maiores bandas de rock do Japão.

Da mente de Tetsuya Ogawa, inspirado pelas bandas de rock que tanto ouvira desde a adolescência, nasceu a banda que um dia tomaria conta dos charts nipônicos e faria um estrondoso sucesso no mundo inteiro. Em 1991, nascia L’Arc~en~Ciel.

L’Première

L'Arc~en~Ciel em 1991 com Tetsuo, Hiro, Pero e Hide (Imagem Divulgação)
L’Arc~en~Ciel em 1991 com Tetsuo, Hiro, Pero e Hide (Imagem Divulgação)

A história do Laruku (apelido carinhoso dado pelos fãs da banda) começa em Osaka, quando Tetsuya tem seus primeiros contatos com o rock, passando por várias tentativas de ter sua própria banda unindo-se a alguns conhecidos de escola. Em uma dessas buscas, Tetsuya conhece pero, hyde e hiro. A ideia era ter a oportunidade de juntos fazerem música inspirada no movimento Visual Kei, estilo popularmente difundido por grandes bandas como Malice Mizer, X-Japan e BUCK-TICK. Na verdade, estas bandas serviram de inspiração para o som da nova banda do Tetsuya. Com o tempo, o apelo visual que tem o movimento VK foi sendo deixado de lado e o L’Arc~en~Ciel foi construindo uma identidade visual única e mais simplista.

Tetsuya ainda não tinha estabelecido a formação da banda. Alguns ensaios depois, Hyde fica estabelecido como vocal da banda enquanto Tetsuya assume o baixo, hiro na guitarra e pero na bateria.

Em fevereiro de 1991, já completa, a banda realiza sua primeira apresentação ao vivo numa pequena casa noturna chamada Namba Rockets. Mais recentemente, Hyde foi entrevistado em um programa de TV japonês e contou como é emocionante para ele lembrar do Namba Rockets hoje, o berço de tudo. A apresentação na casa se repete nos meses seguintes e ganhando mais público. Em março do ano posterior, a casa teria todos os seus ingressos vendidos para uma noite com L’Arc~en~Ciel e a banda já iniciava apresentações em outros locai no Japão.

Em 12 de junho de 1992, hiro decide sair da banda e, na busca por um guitarrista, Tetsuya convenceu ken, seu conhecido ainda quando tocava no colegial, a entrar na banda. Nos meses seguintes, a banda amplia suas apresentações ao vivo em vários locais do país e começam a formar uma base de fãs em Osaka.

O fim de 1992 marca o lançamento do primeiro single da banda, ‘Flood of tears/Yasouka’, com uma tiragem limitada de mil cópias e a saída de pero em 30 de dezembro. Com a saída de pero, o Laruku apresenta seu novo baterista, sakura.

L’Renaissance 

1993 é um ano de despertar para a banda. Ainda no início deste ano, começam os preparativos do primeiro álbum, ‘DUNE’. O interessante aqui é que tudo produzido a favor da banda até o momento era feito de maneira bastante limitada: ingressos para live apenas para 250 fãs pedidos por correio, artwork especial de DUNE antes do lançamento do álbum também limitado com solicitação via correio, eventos sempre restritos… E ainda assim, a banda vendia tudo e lotava os shows em um piscar de olhos.

No dia 27 de abril, o primeiro álbum é lançado para só no dia 31 do mês seguinte, estampar a primeira posição de vendas do ranking indie da Oricon e dar início ao primeiro tour, “Close by DUNE”, em Hiroshima.

L'Arc~en~Ciel em 1995 com ken, tetsu, hyde e sakura (Imagem Divulgação)
L’Arc~en~Ciel em 1995 com ken, tetsu, hyde e sakura (Imagem Divulgação)

O Laruku segue com tours por todo o Japão e assina contrato com a Ki/oon Records, gravadora com a qual a banda mantém o trabalho até hoje. Sob a tutela da Ki/oon, em 94 sai o segundo álbum, ‘Tierra’. Mais shows pelo Japão começam a lotar, inclusive esgotando ingressos.

Nesse mesmo ano, o L’Arc começa a seguir o caminho que futuramente vai fazer a banda despontar internacionalmente: temas de animes. Em Outubro, o single ‘Blurry Eyes’ é lançado como tema de D.N.A², que inclusive ganhou uma versão em português para o anime aqui no Brasil. Daí em diante, o crescimento da banda não parou mais. 1995 marcou o nascimento do fã clube ‘Ciel’ e tornou-se tradição lançar um álbum anualmente. Em dezembro de 95, ingressos para o último show do ano foram esgotados em 28 minutos de venda.

1996 foi o lançamento do álbum que permaneceu no top 10 do ranking de vendas por 9 semanas consecutivas, “True”.
1996 foi o lançamento do álbum que permaneceu no top 10 do ranking de vendas por 9 semanas consecutivas, “True”.

L’Succès

Em meio ao sucesso, premiações e shows lotados, o baterista sakura deixa a banda em 1997. Esse momento pode ser considerado o mais negativo da banda até então. Por posse de heroína, sakura foi preso e se retira da banda em Outubro daquele ano. Todas as notícias do caso têm grande repercussão no país, adiando as vendas do single ‘the Fourth Avenue Café’ que já estava sendo utilizado como encerramento do anime Rurouni Kenshin (Samurai X) na época. O single seria lançado anos mais tarde, porém a canção foi dispensada como encerramento após poucos episódios no ar e não aparece em nenhum lançamento de trilha sonora oficial do anime. Mesmo assim, a canção pode ser considerada a maior e mais importante quanto à chegada do L’Arc~en~Ciel em solos estrangeiros, principalmente abrindo portas para um maior público de admiradores no Brasil.

Além de ‘the Fourth Avenue Cafe’, há de se destacar também os temas de Fullmetal Alchemist, Gundam e o encerramento do filme da série Final Fantasy.

Entra em cena yukihiro, novo baterista da banda e assim chegamos à formação atual em conjunto com hyde, ken e tetsuya (nomes oficialmente adotados com letras minúsculas).

O dia 30 de maio é marcado como aniversário oficial da banda e neste dia, no ano de 2011, a banda decide por explorar novos desafios. Naquele ano, L’Arc~en~Ciel deixaria sua marca em vários locais do mundo, Ásia, Europa, América. New York foi marcada pelo primeiro grande show de uma banda de rock nipônica no Madison Square Garden. A turnê mundial ganhava cara e público, fechando com shows em Tóquio e onde tudo começou, Osaka.

Em 2014, a banda ousa mais uma vez e traz um show ao vivo transmitido em salas de cinema no Japão, Hong Kong, Taiwan, México e Estados Unidos. Está consolidada a carreira internacional da pequena grande banda de rock de Osaka.

L’Présent

Hoje o que podemos dizer é que os fãs sentem falta da regularidade de lançamentos de anos atrás. Quando praticamente novos álbuns eram lançados a cada ano, tudo parecia ser maravilhoso para o público. Ao mesmo tempo, o público ama incondicionalmente cada movimento que a banda faz. Cada batida na bateria de yukihiro, cada pose com as guitarras de ken, cada backing vocal de tetsu e cada dancinha-padrão-desengonçada de hyde.

Hoje temos um L’Arc que entre hiatus aqui e ali, lança singles para um público tanto nipônico quanto ocidental. Sua música mudou nos últimos anos, nota-se um ar levemente ocidentalizado, que, na minha humilde opinião, está presente em bandas de maior alcance, como One Ok Rock por exemplo.

larcenciel hyde gifHoje temos um L’Arc mais maduro, que não arrisca, mas é certeza de sucesso onde for. tetsuya colocou sua marca na banda que antes era só um sonho de garoto e hoje se tornou uma lenda.

Hoje temos um L’Arc individualizado também. Cada membro carrega seus outros trabalhos com afinco. hyde, além de sua carreira solo, leva VAMPS aos quatro cantos do mundo, sem contar que VAMPS é uma banda que leva um grande número de fãs sulamericanos consigo. ken levou o Sons of All Pussys consigo. tetsuya carregou até aqui sua famosa alcunha solo, TETSU69; sua participação na rádio e tudo o que envolve a marca L’Arc~en~Ciel. yukihiro teve ainda seu projeto solo, acid android, sob a produção de uma das divisões da Ki/oon Records.

Hoje temos um L’Arc brincalhão, uma banda divertida que pula entre um live e outro, um trabalho solo e outro, trazendo amigos convidados, fazendo participação nas bandas paralelas e brincando de fazer música.

Hoje temos um L’Arc consolidado. Entre visual e som. Uma banda única que em seguida abriu portas para muitas outras bandas que formam o que hoje conhecemos como J-Rock.

Temos 25 anos do grupo que começou na mente de um jovem colegial. Uma pequena idéia que se tornou gigante e saiu mundo afora fazendo o que sabe fazer de melhor: conquistar multidões pela música.