Quanto valem as suas memórias? Essa é uma das perguntas centrais de Memo Reboot, um quadrinho da editora JBC onde memórias podem ser compradas, apagadas e compartilhadas.
A obra foi escrita e desenhada por Phellip Willian e Eduardo Ribas, artistas brasileiros super talentosos. Com um traço original e personagens cativantes, o quadrinho com certeza é uma preciosidade nacional.
O mercado de memórias
Em um realidade futurística, uma grande empresa criou uma forma de acessar a memória das pessoas e armazená-las. Assim, se tornou possível apagar momentos, reviver o passado ou assistir a vida de alguém como se fosse um filme.

Nesse cenário, existem pessoas que trabalham como “mercenários de memórias”. Ou seja, alguém pede pra eles encontrarem uma pessoa e apagar determinada lembrança dela, esses “mercenários” fazem o serviço por determinado preço.
Esse é o caso da Memo Reboot, um pequeno grupo de pessoas que viaja pelo espaço atendendo a esses pedidos.
Como você lida com o seu passado?
Você apagaria alguma memória? Viveria com todas elas para saber como chegou até aqui? Prefere apagar a dor ou viver com a culpa? Todas são reflexões que rondam a vida de tripulação.

Caly, uma mulher boa de briga e com temperamento ácido, não tem memórias de sua mãe, mas deseja comprá-las de volta.
Por outro lado, Talia, encarregada pela parte estratégia das missões, não apagaria nada do que já viveu.
Terppye, um moça musculosa e super doce, acredita que as pessoas devem viver com a culpa de suas ações.
Já Hermy, um garoto inocente e tranquilo, parece conviver bem com o seu passado e seu presente.
Por fim, Rato… Bem, Rato é um serzinho meio lagarto meio robô que pensa mais do que todos os outros juntos e não parece se importar com muita coisa.
No fim, não existe uma resposta certa, apenas as consequências das suas escolhas (ou, em alguns casos, da escolha dos outros).
Apaixonante
Nesse caso, literalmente, pois me encontro apaixonada pela Caly. Mas, pra além do meu fraco por mulheres briguentas e estilosas, Memo Reboot é um quadrinho verdadeiramente encantador.
Phellip e Eduardo conseguiram criar personagens com tamanha profundidade e personalidade que apenas no primeiro volume eu sinto que já conheço todos eles de longa data.

As personagens femininas são incríveis, fogem dos padrões e passam longe daquela coisa estereotipada. São fortes (literalmente), diferentes entre si tanto fisicamente quanto na personalidade e cada uma tem uma forma de enxergar a vida.
Além disso, eu amei o Rato. A atitude blasé dele é maravilhosa, ainda mais no contraste com o caos da tripulação.

Sensível
Também, Memo Reboot tem uma profundidade emocional que dá maturidade à história. Por exemplo, a relação de Caly com sua mãe e o segredo que Talia esconde sobre isso.
Ou, o serviço de apagar a memória de alguém que já fez teste em animais nos faz pensar na ética e em questões muito mais profundas.

E, no último capítulo do primeiro volume, quando conhecemos Cleo, uma figura até então misteriosa. Até o momento, tudo o que sabemos é que ela é surda, foi escravizada e perdeu sua família. Porém, com certeza terá uma parte significativa no desenrolar da história.
Vá ler imediatamente!
Então, para finalizar esse Suco Apresenta, digo que esse quadrinho realmente me surpreendeu, em todos os sentidos positivos. Inclsuive, eu adorei ouvir o sotaque gaúcho que eles consiguiram transmitir apenas com algumas expressões.
Enfim, normalmente buscamos as melhores histórias nas produções internacionais, mas quando surge algo como Memo Reboot — e tantos outros — é um belo lembrete da qualidade dos artistas brasileiros.
Por isso, eu incentivo você a ler essa obra maravilhosa, tão bem construída e estruturada. Vamos apoiar a arte nacional, pois, pra além de “não perder nada” pra obras internacionais, muitas vezes as supera.
Enfim, leia Memo Reboot e faça essa reflexão: qual o preço das suas lembranças?



