É com o entusiasmo de quem segurou o primeiro Game Boy tijolão e a responsabilidade de quem acompanha cada frame da indústria que estreamos hoje esta coluna semanal. Ao longo de 2026, nosso encontro aqui no SUCO será dedicado a celebrar os 30 anos de uma franquia que transcende os videogames para se tornar um pilar da cultura pop global: Pokémon. E não poderíamos começar em um momento mais eletrizante.
O Pokémon Presents de 30 anos, ainda nem rolou, mas já nos deu um presente que une gerações: o relançamento oficial de Pokémon FireRed & LeafGreen para o Nintendo Switch. Mais do que uma simples dose de nostalgia, esse anúncio abre as portas para uma discussão profunda sobre como o legado de Kanto se integra ao cenário competitivo moderno e como a Pokémon Company planeja honrar (ou não) seus clássicos em uma era de conectividade total.
Decisões e luz no fim do túnel
Contudo, nem tudo são flores neste anúncio, e alguns pontos deixaram a comunidade (e este colunista) com a pulga atrás da orelha. A decisão de vender os títulos de forma individual na eShop, somada ao silêncio sobre a conectividade com o Pokémon HOME e à ausência de um modo online nativo para trocas e batalhas, levanta o temor de que nossos monstrinhos fiquem, mais uma vez, isolados no passado. Apesar desses receios, ainda resta uma luz no fim do túnel: o Pokémon Presents que acontece nos próximos dias.
Existe a esperança real de que as respostas para essas barreiras técnicas surjam durante a transmissão, transformando o que hoje é incerteza em uma confirmação de que o ecossistema Pokémon continuará unido. Afinal, em um aniversário de 30 anos, o maior presente para os fãs seria a garantia de que o retorno a Kanto é um investimento para o futuro da nossa jornada, e não apenas uma visita passageira à nostalgia.
Expectativas
Essa expectativa por soluções técnicas não é infundada, pois já vimos esse filme antes. No aniversário de 20 anos da franquia, o lançamento das versões de Game Boy no Virtual Console do 3DS operou um verdadeiro milagre tecnológico para a época: a The Pokémon Company não apenas emulou os jogos, mas criou uma ponte digital através do Poké Transporter que permitiu, pela primeira vez na história, que um Pokémon capturado nas versões Red, Blue, Yellow (e posteriormente Gold, Silver e Crystal) pudesse ser enviado para os títulos modernos. Naquele momento, a barreira que separava o passado analógico do presente digital foi derrubada. Agora, com o Switch e o ecossistema do Pokémon HOME muito mais maduros do que o antigo Bank, a cobrança da comunidade é para que a história se repita com FireRed & LeafGreen.
O precedente de 2016 demonstrou a viabilidade de honrar o legado dos jogos sem “prender” os Pokémon em hardware obsoleto. É importante lembrar que a transferência dos Pokémon via cartuchos é um processo burocrático e desanimador, além de que os serviços online do 3DS não serão mantidos para sempre, havendo a possibilidade de serem encerrados a qualquer momento. Isso findaria o ciclo de transferências entre as gerações mais antigas. A questão que permanece é se, uma década depois, a Pokémon Company terá novamente a audácia de reconectar suas diferentes eras.
O que esperar?
Para além do valor sentimental, a integração desses clássicos com o cenário moderno seria um divisor de águas estratégico. Para o jogador competitivo, o acesso facilitado a Kanto através do Switch pode significar o retorno de Pokémon lendários e monstrinhos com a icônica ‘marca de origem’, simplificando a montagem de times para o metagame que se desenha para 2026.
Além disso, o retorno de FireRed & LeafGreen acende uma chama de esperança para os fãs de Hoenn: seria este o primeiro passo para vermos a trilogia Ruby, Sapphire & Emerald também resgatada no hardware atual?
Estamos no limiar de um ano que promete ser o maior da história da franquia, onde o passado e o futuro se encontram no mesmo joycon e também na TV da Sala. Agora, a bola está com a Game Freak e a The Pokémon Company.
Texto por Victor Rocca


