quinta-feira, abril 3, 2025
VISITE NOSSA LOJA

Compartilhe:

gamescom latam | Alessandro Martinello, desenvolvedor de Mullet MadJack

Um dos principais games do ano e amplamente reconhecido no Brasil e no mundo, Mullet MadJack esteve exposto na gamescom latam e o Suco de Mangá conversou com Alessandro Martinello, desenvolvedor do game. Confira a seguir.

Como começou a sua carreira nos jogos eletrônicos?

Então, eu sou um developer indie há uns doze anos. Nessa época começou a onda dos indies, como o Super Meat Boy e eu percebi que era possível trabalhar com algo que eu amava, que agora era real. Antes disso eram só grandes lançamentos, e começou a crescer no Brasil também, então eu comecei por volta dessa época.

Como você enxerga o mercado brasileiro atualmente?

Agora está muito melhor do que na época que eu comecei. A Steam, por exemplo, é muito receptiva com qualquer tipo de jogo. Às vezes queremos fazer um jogo mais voltado para o público brasileiro, então é um momento muito melhor para fazer jogos brasileiros.

O Mullet só está voando agora porque antes deles vieram outros ótimos jogos brasileiros que tornaram o mercado mais aberto a diferentes jogos.

Aproveitando que você falou do Mullet, conta um pouco sobre quando começou esse projeto.

Eu fazia alguns jogos menores, mas aí, durante a pandemia, me fez pensar que era a hora de fazer um jogo maior. Eu sempre amei FPS e algo meio retrô, então durante a pandemia eu comecei a trabalhar nesse projeto.

Ele tem uma estética bem anos 90, inclusive, cadê o seu mullet?

(Risos) Ah, a namorada não me deixou fazer.

Conta um pouco sobre a escolha da estética noventista para o jogo.

Eu sou um grande fã de animes dos anos 1990 e eu sempre considerei que essa foi a era de ouro, com Akira e Evangelion, então eu tentei trazer para o jogo essa estética. Se você perceber, tem muitas referências desses animes. Então, eu juntei duas coisas que eu amo: o gênero de FPS com os animes mais clássicos.

Quais as principais influências de jogos para o desenvolvimento de Mullet MadJack?

Ele é bem focado em uma jogabilidade arcade. Ao invés de fazer um boomer shooter tradicional, padrão Duke Nukem, a gente focou em você fazer coisas muito legais misturando arcade.

Outra coisa é que a gente notou que os FPS estavam ficando cada vez mais rápidos, então a gente quis fazer uma sátira disso, com uma mecânica meio exagerada. A primeira vez que a gente jogou, achamos muito legal. Daí, pegamos todas as coisas que a gente gosta, as referências e colocamos no jogo.

Você poderia comentar sobre a escolha narrativa em abordar essa obssessão por likes e visualizões que a nossa sociedade tem?

A gente começou do jeito que o Miyamoto ensinou: você tem que achar as mecânicas do jogo. Depois que a gente tinha isso fechadinho, eu imaginei um universo parecido com o nosso, onde as pessoas buscam dopamina a cada dez ou vinte segundos.

Foi isso que encaixou em como o jogo funciona, né? E eu amo muito sátira, eu acho que falta isso nos jogos — eles se levam muito a sério — e eu quis fazer essa piada de como o homem e a internet se tornaram um novo ser. Então, o Mullet precisa de dopamina a cada dez segundos.

O que os games podem oferecer como nova abordagem para essa discussão importante?

Eu acho que com os jogos você conversa em um nível mais íntimo. Ele exige toda a sua atenção. Principalmente agora, na teal das várias screens, as vezes fica um celular entre a tela do filme e você e com um jogo não, você tem que ter toda a sua atenção focada ali.

Justamente por isso, as pessoas podem sentir a crítica de uma forma mais forte.

Qual o futuro do MadJack?

A gente tá botando bastante atualizações grátis para melhorar o jogo. Estamos próximos da nossa comunidade e vendo onde podemos deixar o jogo o mais legal possível. Talvez um sistema de ranking, onde você pode comparar com os seus amigos.

Além disso, ele tá com 98% de aprovação na Steam, com 3 mil reviews. O jogo furou a bolha, né? Tem sido muito falado lá fora e eu recomendo o pessoal a aproveitar durante a Summer Sale da Steam!

Com tanta aprovação assim, dá para esperar uma indicação no The Game Awards?

Ah, isso os outros que tem que decidir, né? Nós fizemos o nosso melhor e a galera, lá fora e aqui, gostou muito. É uma unanimidade. Estamos muito felizes com isso e queremos focar no que podemos fazer com a comunidade durante esse primeiro ano do jogo.

Depois, quem sabe, pensar em uma sequência aí. Acho que conseguimos despertar algo nas pessoas que elas sentiam falta: elas se sentem vivas jogando o jogo.

CONFIRA O JOGO AGORA

Rodrigo Folter
Rodrigo Folter
Jornalista gamer ou gamer jornalista, as duas características costumam se entrelaçar. Nasci em São Paulo e morei alguns anos no litoral antes de voltar à capital e me formar em Comunicação Social pela FIAM-FAAM. Crio conteúdo sobre games, cinema e tecnologia desde 2017 e fui co-autor do livro "Cinema Virado ao Avesso: Erotismo, Poesia e Devaneios", além de palestrar em algumas universidades de vez em quando. Nas horas vagas estou jogando viajando, jogando Overwatch, LoL ou brincando com meu gato.

Leia mais

PUBLICIDADE

Suco no YouTube

Em destaque