Eriki
    Eriki
    Olá, sou o Eriki, redator do Suco de Mangá desde 2018, ex apresentador do Gole Otaku, programa semanal do Suco de Mangá sobre as estreias de animes da temporada, formado em História pela UFRJ e guitarrista da Matina Cafe, banda que se inspira no som do visual kei.

    EXPERIMENTE TAMBÉM

    Frieren: Beyond Journey’s End | Primeiro Gole

    Uma das estreias mais aguardadas do ano, Frieren abre as portas da Temporada de Outono 2023. Neste Primeiro Gole, fazemos coro a tantas e tantas pessoas que estão morrendo de amores por essa estreia e com boas razões. Então, confira mais!

    O fim da história

    Da autoria de Kanehito Yamada, Frieren é um dos mangás mais aclamados atualmente. A razão mais escancarada disso é porque Frieren usa a fórmula clássica (e GASTA!) das histórias de aventura de RPG. Ou seja, um grupo de heróis sai em uma missão de derrotar o Rei Demônio.

    Porém, Yamada presta atenção à famosa longevidade dos elfos para fazer uma pergunta tão óbvia que nos passa despercebida. Como deve ser a experiência de vida de um elfo que permanece por tantas e tantas centenas de anos vivo a mais que seus companheiros de aventura?

    Dando vida à pergunta, temos uma história originalíssima sobre Frieren, uma elfa maga que já está bem além das quests de RPG para derrotar o Rei Demônio.

    A jornada já acabou, os louros da vitória já foram colhidos e agora só havia todo o resto da vida depois da aventura para ela e todos os membros da party. Eles são o herói Himmel, o padre Heiter e o guerreiro Eisen.

    Conhecendo o outro

    Frieren sofre da típica apatia que geralmente se imagina que alguém que viva por muito tempo costuma ter. Não chega a ser um desdém, mas ela faz pouco dos dez anos que ela passou na quest com seus companheiros de party, pessoas admiráveis à sua maneira

    Afinal, o que são dez anos para alguém que vive mais de um milênio? Uma década é mais de um décimo de nossas vidas, na melhor das hipóteses. Por isso tendemos a valorizar (e otimizar) o pouco tempo que temos neste mundo, pelo nosso próprio bem. Também, pelo bem de nossa espécie, que se adaptou como nenhuma outra e por isso prosperou.

    Frieren vive teimosamente em seu próprio mundinho, se permitindo o luxo de passar meses e anos dedicadas às tarefas mais banais. Essa apatia começa a ceder quando o inevitável acontece e a elfa percebe que seus ex companheiros, que passam a falecer com o passar do tempo, significavam mais para ela do que ela própria conseguia imaginar.

    Então, quando Frieren atende a uma suplica de Heiter e toma a menina Fern como sua aprendiz, vemos nessa estreia a pequena, mas significante transformação dela. Assim, essa maga aos poucos aprende a preciosidade de ter vínculos com outras pessoas e respeitar os seus próprios tempos.

    Frieren: Beyond Journey's End
    Imagem Divulgação

    Cronofobia

    Os primeiros episódios de Frieren mexem com um medo bastante pessoal e que quero compartilhar com vocês. Num único episódio de mais ou menos vinte minutos, oitenta anos se passam.

    Agora, parem para pensar que oitenta anos atrás, em 1943, seus avós ou bisavós provavelmente só pensavam no que acontecia na Guerra, esperando as últimas notícias na Hora do Brasil.

    Para nós parece algo distante, mas os eventos de lá passaram do mesmo jeito que esta temporada de animes chegou ou que este texto está sendo escrito. O passado nos é indiferente, mas o tempo está lá, incessante, transformando todo e cada momento presente e cada esperança de futuro em passado, sem exceções.

    As coisas que gostamos ficam obsoletas, as modas vão passando, aquelas calls com aquele grupo 10/10 de amigos vão perdendo o pique.

    Nossos avós, quem achamos que ficariam velhinhos para sempre, começam a se despedir de nós. Nossos pais já começam a ficar diferentes de como a gente se lembrava deles quando criança, para não dizer de nós mesmos em frente ao espelho.

    O primeiro episódio de Frieren condensa essa experiência amedrontadora, que normalmente é um processo, num choque de realidade. O tempo não para. Ele é essa força que invoca o fato do passar das estações do ano e de nossa fragilidade. Que fragilidade, nossa mortalidade!

    Quando vemos Frieren chorar a morte de Himmel, o rapaz heróico e charmoso que faleceu idoso e mirrado (mas sempre com a brava espada que empunhou por toda a vida), somos lembrados que mais cedo ou mais tarde, um dia seremos todos como a Frieren.

    Não exatamente, porque provavelmente sobreviveremos àqueles que vieram antes de nós. Porém, porque o tempo é onipotente: ele levará, um a um, os momentos vividos, os entes queridos e, no final de tudo, nós mesmos.

    Claro, isso é o ciclo da vida. Pode ser razão para um eventual tristeza, mas não precisa ser razão de pânico. O começo de Frieren faz um ótimo em nos mostrar também como esse ciclo impiedoso pode ser belo. Porque ele é.

    Uma adaptação em excelentes mãos

    Como se a história já não fosse tocante e emocionante por si só, temos ainda Yuichiro Fukushi. Ele dirigiu a excepcional adaptação de Bocchi The Rock, comandando a direção deste anime vívido.

    E de música? Yoasobi na abertura E milet no encerramento?! Mais pontos a seu favor! Ainda, o ritmo da animação permite conter os apressados que só passam os olhos pelas páginas do mangá, apresentando a jornada da elfa Frieren no seu devido tempo.

    Não é como se uma cria do estúdio Madhouse, pai de tantos clássicos, precisasse de muitas palavras pra entender o seu gigantesco futuro promissor. Na verdade, este Primeiro Gole pode ser resumido num apelo: vejam Frieren, pois este é um candidato de peso para ser o anime do ano!

    Frieren: Beyond Journey's End
    Imagem Divulgação

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