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Inspirado no emblemático livro Orgulho & Preconceito, de Jane Austen, Fire Island surge com uma produção simples, porém, direta ao ponto quando o assunto é denunciar certos costumes ardilosos de uma parte específica da comunidade LGBTQIA+.

Escrito e estrelado por Joel Kim Booster, o filme desponta de uma ideia já conhecida pelo público. Entretanto, por ser voltado ao humor, alguns elementos batidos acabam dando muito certo graças ao revestimento dado pelos diversos personagens e subtramas que se dividem entre aspectos ora apelativos demais, ora divertidos à beça.

Quando um grupo de amigos partem rumo a uma aventura de verão numa ilha conhecida por ser um refúgio para pessoas LGBTs, uma série de acontecimentos passa a testá-los enquanto eles estão apenas em busca de diversão.

De início, Fire Island nos apresenta a uma clássica divisão de classes que não deixa de existir até mesmo no meio gay. Noah (Joel Kim Booster) e Howie (Bowen Yang), compartilham a frustração de serem considerados gays malsucedidos e de ainda terem que lidar diariamente com a xenofobia e o racismo. Do outro lado, Will (Bowen Yang) e Charlie (James Scully), são os exemplos perfeitos de homossexuais que a sociedade busca aceitar apenas por serem ricos e dentro do padrão.

Diante deste contraste, o que vemos nos minutos seguintes é um show de demonstração sobre racismo, xenofobia, gordofobia, etarismo e preconceito de classe que Noah, Howie e seus amigos passam a sofrer dentro da ilha. Essas questões, abordadas de maneira cômica, remontam um problema estrutural bastante comum, em que pessoas da mesma comunidade, com base em seus privilégios, decidem oprimir as outras.

Além destas, outras pautas bastante pertinentes são demonstradas em tela. O problema é que tudo no filme soa passageiro demais. Claro que o humor e o tom devidamente acessível fazem com que qualquer coisa tratada pelo roteiro seja transmitida de forma clichê e superficial. Porém, há momentos em que uma certa profundidade se faz necessária. E isso não acontece momento algum.

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Estamos um pouco longe de ver todos os anseios da comunidade LGBTQIA+ ganharem um retrato como deveriam. Essa é uma observação que deve levar em conta, principalmente, produções norte-americanas, uma vez que em toda Ásia e América Latina, não faltam obras excelentes sobre representatividade.

Mas, por sorte, Fire Island é um grande passo. O filme conta com uma produção excelente, aspectos técnicos assertivos e uma campanha feita para marcar 2022. Espera-se com isso, que mais produtoras olhem para este tipo de filmagem, e comecem a investir em dramas de temática queer divertidos, com mensagens importantes e um final feliz. Coisas simples, mas que, infelizmente, ainda são raras.

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