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Criado por Liz Feldman e com 2 temporadas até agora, “Disque Amiga para Matar” conta a história de Jen (Christina Applegate), uma viúva que perdeu seu marido recentemente e está tentando retomar sua vida enquanto tenta descobrir quem atropelou o seu marido.

Jen entra no grupo “Amigos do Paraíso”, que é um grupo de ajuda para pessoas que querem superar o luto. Nisso, Jen acaba conhecendo Judy, uma mulher que estava tentando superar o luto também de seu marido e se mostra uma pessoa gentil com ela. Rapidamente, as duas se tornam grandes amigas, apoiando uma a outra em todos os momentos.

O Título em Português

A sinopse na Netflix não parece ser muita atrativa, mas seu título intriga mais e chama a atenção, mesmo que seja de uma forma deturpada. Geralmente não julgo os títulos traduzidos, já que a maioria são bons e foram pensados justamente para atrair mais a atenção do público, o que funciona aqui. Porém, o título em português acaba deturpando a ideia central e o que acontece durante a trama, embora não entregue a sua história. O nome original é “Dead to Me” (tradução livre: Morto para Mim), que condiz mais com a história e tem uma maior profundidade que é condizente para a trama. Isso não interfere com a experiência de assistir a série, mas levanta um questionamento sobre a decisão sobre o título.

Breve Análise

A cada episódio, você descobre mais elementos das personalidades das protagonistas que elas mesmas parecem sempre ter ignorado e vai conhecendo mais as suas histórias e segredos, que escondem não só dos outros, mas também de si mesmas. A série vai apresentando os aspectos psicológicos e as razões de cada uma para tomar algumas ações. Você percebe as justificativas que dão e a projeção de culpa e fuga para tentarem superar seus próprios problemas que acabaram acarretando na situação central.

Conforme a trama se desenrola, elas vão percebendo esses aspectos e como deixaram que algumas pessoas que amavam manipulassem suas vidas sem perceberem e como se renderam a esses relacionamentos sem levarem em conta seus sentimentos, apagando suas próprias personalidades e desejos. A série mostra justamente como elas percebem esses sentimentos e atitudes, e como elas começam a lidar com suas vidas. Tudo é muito bem pensado, em camadas, e não tem pressa ou é corrido. Ou seja, o ritmo em que tudo acontece é fácil de acompanhar, mas profundo e de reflexão.

A série utiliza muito bem aspectos psicológicos como tema, como a autopunição e compensação impulsionada pela culpa e gaslighting, bem como fuga dos sentimentos e atitudes com projeções de culpa. Essas posturas acabam refletindo em outros personagens da série, mostrando como um estado psicológico que parece controlado pode acarretar em uma verdadeira bola de neve, falta de controle e impulsividade.

É bom?

“Disque Amiga para Matar” é uma série mais madura, com mulheres bem mais velhas lidando com suas vidas, portanto, pode parecer sem graça para os mais jovens ou que não tem tanta experiência de vida. Porém, vale ressaltar que na 2ª temporada as coisas mudam um pouco de aspecto, e agradou ainda mais o público, provavelmente por seguir um pouco mais o gênero da comédia. Além disso, provavelmente haverá uma 3ª temporada, vale a pena conferir.

Mesmo tendo alguns momentos de mais descontração e piadas, isso não ofusca a humanidade das personagens, que não ficam forçadas e parecem reais e com histórias críveis. Além disso, Christina Applegate e Linda Cardellini estão excelentes e formam uma ótima dupla com um relacionamento muito comovente e de cumplicidade.

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