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Daemons of the Shadow Realm | A Herdeira de Fullmetal Alchemist Chegou com Tudo

A nova obra de Hiromu Arakawa estreia prometendo ser uma das animações mais aguardadas de 2026 — e o primeiro episódio já justifica o hype

Tinha tudo para ser mais uma estreia de temporada. Mas Daemons of the Shadow Realm — ou Daemon do Reino das Sombras, como deve chegar ao Brasil pela Crunchyroll — não é mais uma. Quando o nome de Hiromu Arakawa aparece nos créditos, a expectativa já sobe vários degraus. E o primeiro episódio entregou exatamente o que essa expectativa pedia: mundo, mistério, sangue e emoção.

Antes de continuar: o episódio é violento. Não estamos falando de uma violência estilizada, decorativa. Aqui têm vísceras, decepações e cabeças rolando. Se você esperava algo suave por ser uma obra de fantasia com protagonistas jovens, prepare-se para rever essa expectativa logo nos primeiros minutos.

Yuru, Asa e os Tsugai: um começo que prende

O episódio nos apresenta a Yuru, um garoto criado em uma aldeia com características bem específicas — um ambiente com ares de isolamento, organização própria e regras que parecem ir além do comum. Ele tem um amigo próximo, Danji, e uma irmãzinha chamada Asa, figura central da trama desde o primeiro momento.

Quando a aldeia é atacada por um grupo armado com o objetivo de capturar Asa, tudo muda. Yuru desperta seus Tsugai — os seres sobrenaturais que dão nome à série, criaturas espirituais que existem sempre em pares e podem ser dominadas por pessoas com poderes especiais. Ver esse momento acontecer é a faísca que o episódio precisava. Dá vontade de entender tudo sobre esse sistema de poderes.

E justamente aí mora uma das perguntas que ficam no ar: o que significa, de fato, crianças dominarem os Tsugai? Até onde esse domínio vai? Quais são os limites — e os custos?

E Asa? O grande ponto de interrogação

A irmãzinha de Yuru é, ao mesmo tempo, o coração emocional do episódio e seu maior mistério. Ao longo da narrativa, somos apresentados a diferentes versões dela — ou ao que parece ser versões diferentes. Uma mais nova, uma mais velha. São a mesma pessoa? Clones? Linhas de tempo distintas?

O episódio não responde. E faz isso de forma intencional, plantando sementes de dúvida que devem germinar ao longo da temporada. A relação entre os irmãos gêmeos — separados, com destinos interligados — ecoa a dinâmica dos Elric de FMA, mas com uma identidade própria que ainda está se formando.

Bones faz Bones: a qualidade técnica impressiona

A animação ficou a cargo do estúdio Bones, e o resultado está à altura do histórico do estúdio — responsável por Fullmetal Alchemist: Brotherhood, My Hero Academia, Mob Psycho 100 e Bungo Stray Dogs, entre outros. A direção de Masahiro Ando e o roteiro de Noboru Takagi entregam um primeiro episódio bem cadenciado, que equilibra apresentação de mundo, ação e emoção sem atropelar nenhum dos três.

A trilha sonora de Kenichiro Suehiro complementa bem, e a abertura (que toca no final deste primeiro episódio) Time to Fly, de Vaundy, já cumpre o papel de grudar na cabeça. Fico na curiosidade sobre o encerramento Let’s Fly, de yama, se seguirá — de forma eficiente — com o tom pesado do que acabamos de assistir.

Vale continuar?

Sim. Com folga.

Daemons of the Shadow Realm chegou no primeiro episódio com o que toda boa estreia precisa: apresentou seu mundo, criou perguntas que não conseguimos ignorar e entregou qualidade técnica de ponta a ponta. O universo dos Tsugai, a relação entre os irmãos, os grupos em conflito e o sistema de poderes têm potencial para ser algo tão sólido quanto o legado que Arakawa já construiu.


Daemons of the Shadow Realm estará disponível no Crunchyroll a partir de 4 de abril.

BELLAN
BELLAN
O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.

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