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Quando seu nome está marcado na história por uma das maiores franquias que o mundo já conheceu, qualquer produção que vim agregada a esse nome ofuscará todos os presentes na obra, inclusive o diretor, com Irmãos Russos na produção e Chadwick Boseman de protagonista, Crime sem Saída arrisca trabalhar o velho elemento de suspense policial, destacando os pontos já conhecidos no gênero, mas tropeça na ação desenfreada e sem sentido de um filme bagunçado ou talvez retalhado, para falar a verdade não existe filme.

A trama desenvolve bem dentro do gênero suspense, inciando com um assalto que saiu fora dos planos, enquanto a polícia e todos os departamentos precisam se movimentar para encontrar os ladrões, até aí típico de um filme de suspense, o que ele realmente peca é nas incoerências que dividem ele em uma ação oitentista com suspense clássico, te forçando a aceitação de balas infinitas que só atingem quando convém ao roteirista, plot explícito de forma indireta a todo momento pela direção, uma tentativa fracassada de construir um apego emocional por cada personagem mostrado, de um policial a bandido, da vítima a personagem aleatório número quatro, a vontade de querer fazer tudo foi o que rasgou o roteiro desse filme no meio, o que pela bagunça aparentada, trazia uma história legal.

Essa divisão de suspense e ação é comum nesse tipo de filme, até os furos de roteiro não são uma novidade, mas as múltiplas cenas de troca de tiro e a polícia altamente treinada e preparada feito o Batman te desconecta do filme, ainda transformar os dois ladrões em duas pessoas em níveis supremos de assassino e espião é passar muito do limite, é fazer dele um super-herói ou algo assim, qualquer ação que saia do arco de bang-bang e diálogo entre policiais é completamente jogada de forma aleatória, sem uma costura para que haja um vínculo racional na história.

crime sem saida

Uma grande tristeza foi apagar alguns bons personagens que te mantém uma certa curiosidade, tanto o Andre (Chadwick Boseman) como o personagem de Stephan James foram excepcionais e o encontro deles aumenta a tensão no ar e te deixa no escuro, um falso suspense muito bem trabalhado junto com a parceira interpretada pela Sienna Miller, o que não funcionou foi conflito da mãe solteira mal trabalhado, tudo que poderia gerar um apego emocional acabou virando uma artificialização na personagem que a apagou do início ao fim.

Os agentes do FBI plantados para fazer aquela rivalidade conhecida de filmes policiais podiam ser retirados de cena que não afetaria o roteiro em grande escala, e junto com o protagonista, vem o papel que seria o marco desse filme; se tivéssemos um, o personagem de J. K. Simmons, o chefe de polícia que está abatido por todos os seus companheiros mortos, sendo que ele aparenta estar a um bom tempo na polícia, o que já constrói toda a história do mesmo sem precisar forçar ou explicar de forma dúbia , só que isso cai no esquecimento pelo péssimo filme que é apresentado.

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Não é a toa que o pôster e o trailer destacam os nomes de Irmãos Russo na produção, primeiro porque são os bem falados de Hollywood, envolvidos com Kevin Feige para a construção do MCU, qualquer lugar que o nome deles estampar, serão dois grandes pontos positivos, agrega com o ator de Pantera Negra no protagonismo, o emocional resgatado do que foi visto na Marvel cresce uma expectativa grande e ilusória, ofuscando que se está em outro filme fora de tudo aquilo, inclusive esquecer do diretor, Brian Kirk não conseguiu trabalhar bem a construção de Crime Sem Saída, isso que não foi algo a níveis desastrosos, pois as cenas visualmente ficaram excelentes e bem feitas, nas partes de diálogo e também na ação, só que jogados em tela.

Crime sem Saída quis se prender nos nomes envolvidos no MCU para fins comerciais, nada errado, pois é comum esse tipo de marketing no cinema, mas para fazer isso, necessita-se de um filme, o qual ele não existe aqui, o conjunto da obra falha em trazer algum tipo de entretenimento e uma história empolgante que valha o tempo e dinheiro perdido para um clichê bem abaixo da média, o qual será esquecido logo menos quando lançarem um novo filme da Marvel.

REVIEW
Crime sem Saída
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.