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Biomutant é um RPG de ação em mundo aberto desenvolvido pela Experiment 101 e THQ Nordic que traz um interessante universo furry – personagens animais que apresentam personalidade e características humanas – em um cenário pós-apocalíptico.

Graças ao pessoal da NUUVEM, tivemos acesso ao jogo furry e trazemos agora para vocês um REVIEW sob minha ótima otimista – pois curti muito a estética do jogo – mas também como toda a problemática que carrega. Vamos lá!

Embarque neste mundo pós-apocalíptico Furry!

Vívido. Brilhante. Colorido. São três adjetivos que cabem muito bem no universo de BIOMUTANT. Das gramíneas musguentas a árvores e plantas contorcidas, o level design encanta na perspectiva estética, apresenta biomas diversos e áreas naturais de tirar o fôlego. De fato, e num primeiro momento, esta é a primeira impressão que temos do jogo. Não há dúvidas de que é muito bonito!

E os seres que habitam? Bem, o conceito dos personagens também segue uma linha que combina muito bem com a proposta do jogo e temos uma variedade interessante de mutantes antropomórficos e montarias, tudo para propiciar uma ótima imersão ao jogador.

Junto ao ambiente natural, temos as construções e áreas das tribos. Seguindo a mesma fórmula, elas se misturam de forma simbiótica as paisagens, de trincheiras escavadas até fortalezas em meio a um pântano. É difícil escolher qual arquitetura de tribo é a mais bonita e interessante.

Agora com o pano de fundo do mundo de BIOMUTANT, resta saber qual o nosso lugar e quem irá se aventurar nessa jornada. Assim como um bom RPG, criamos nosso personagem, mais uma vez lembrando, um antropomórfico. Acabei fazendo uma espécie de “guaxinim espadachim”, um samurai urbano – já que ele também atira com pistolas – e formatei dentro desse conceito durante toda a jogatina.

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Não são muitas coisas que podemos customizar na parte física do personagem, ora um pelo diferente aqui e uma esticadela das ossadas ali. Mas como todo essa estética mutante antropomórfica é rara nos games, acaba sendo uma experiência bem interessante. Vale lembrar que algumas poucas coisas, como vestimentas, podem ser mudadas in-game. Já se você se cansou da penugem de seu bichado, existe um NPC barbeiro pronto para te ajudar a ficar mais garboso na sua caçada!

Para finalizar dentro dessa parte de criação, temos a classe (são seis no total). Sinceramente, achei que seria uma escolha DEFINITIVA, mas que nada, podemos variar de estilo e mudar de arma a qualquer momento no jogo. Parecido com Dark Souls, a sua classe inicial é mais importante nas primeiras horas…

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Imagem Divulgação

Escolhas e Desenho da História

Com um pano de fundo da ambientação montado, vamos para o desenrolar da trama. Gosto de separar BIOMUTANT em três grandes galhos de trama: passado, presente e futuro. E como funciona isso? Vamos lá!

O passado compreende no background do seu personagem. Conforme passamos por missões, mais da infância são revelados, desde treinos de Wung-Fu com sua mãe, aulas de natação, exploração e toda a cartilha da formação do herói. Para dar mais ênfase, os flashbacks são jogáveis e a mecânica de escolhas – que o jogo leva muito a sério – também está presente.

Já o presente, temos o que podemos fazer para avançar na história e junto dela, nossas escolhas dentro do sistema de Moralidade, uma dicotomia dentro do espectro da Escuridão e Luz. A regra é clara: ações boas melhoram o caminho da Luz; ruins, o caminho da Escuridão. Sim, do jeito mais Star Wars possível e com toques de Zelda: Ocarina of Time e Black Desert Online.

O futuro, o que nos resta? O mundo é vivo, e junto dele as nossas escolhas formarão consequências dentro da trama. A forma como resolveremos os problemas entre as Brigas de Tribos, ou a salvação da Árvore da Vida, é exclusivamente nossa – e isso é bem legal, um ponto positivo no design do jogo.

Parecido com Cyberpunk 2077 onde as escolhas definem até mesmo o tempo de jogatina, ora aceleram ou estendem sua campanha, é fato de que quando você termina a história central, não significa que esteja realmente completo. Característica de um game mundo aberto, há dezenas de sidequests, minigames e mapas para exploração; por sinal, muitas sidequests são até mais divertidas que as mainquests.

Você pode achar a história não muito interessante ou cativante, mas há um charme em BIOMUTANT, e o empenho da equipe da Experiment 101 em trazer este sistema complexo de Ação <> Reação no mundo é de tirar o chapéu, principalmente por não terem a verba de um game AAA.

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Imagem Divulgação

Jogabilidade Nostálgica

Um fator que me “pegou de jeito” foi de como o game me lembrou alguns jogos da RARE na época de Nintendo 64 como Conker’s Bad Fur Day e Jet Force Gemini. Não que de fato tenham uma inspiração ou correlação, mas foi algo que me trouxe do âmago esta lembrança nostálgica e me motivou durante a jogatina. Há cenas em BIOMUTANT que poderiam se encaixar perfeitamente nos jogos aí citados.

Além da questão estética e de como os cenários são propostos (simples), a jogabilidade também me remeteu a tais jogos do passado por serem mais “diretos”. Não quero dizer que as lutas são simplórias, até porque há muitas formas de combos ou mecânicas de armas, mas acredito que se o jogador estiver disposto a seguir apenas UMA LINHA de combate, ele consegue atravessar o jogo com isso.

Para a galera mais hardcore – não me enquadro nisso – há um sistema de bloqueio e esquiva. Não achei tão bem harmonizado como em um Soulslike (acho que nem é a ideia), e em alguns momentos achei um pouco travada como o personagem se esquiva, mas considero e relevo que são cartas interessantes para se tirar da manga contra alguns chefes. Se você for habilidoso com o controle e tiver um bom timing, use e usufrua dos contragolpes e cancelamentos das habilidades inimigas.

Já do lado do craft, assim como em Cyberpunk 2077, é possível terminar o game sem dar muita atenção por aqui, porém, para quem busca mais longevidade e diversão, é interessante criar armas específicas para os chefões como em um Megaman. De fato, é muito difícil repetir uma play, seja por seu equipamento ou como você escolhe desafiar mobs e chefes; cada combate é único.

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Imagem Divulgação

Das Problemáticas

Já citado todos os pontos de que gostei muito em BIOMUTANT, vamos para seus problemas. Já antecipo de que como joguei uns bons dias após seu lançamento, diversos patches já vinham corrigindo seus erros e não sofri de glitches e quedas de quadros, algo muito citado na comunidade.

Quanto a sua performance, em meu i5 10400F + RTX 2060, foi possível extrair o máximo de seu gráfico sem nenhum problema, porém, ressalto que para um melhor desempenho, tenha em mente instalar o game em um SSD (de preferência num NVMe), para assim não ter problemas de carregamento de texturas em áreas mais abertas.

Talvez o ponto que mais tenha me incomodado é a repetição de missões e suas fórmulas simplórias de “ache um número x de itens” ou “derrote todos os inimigos do mapa”. Parece que foram indexadas apenas para cumprir seu lugar no mapa e encher mais “linguiça”. Pessoalmente, prefiro algo mais próximo de um Zelda BOTW, onde os inimigos estão no mapa sem nenhuma motivação aparente e vão apenas proteger o seu território, assim economizavam mais tempo e focariam mais no worldbuilding. Saliento de que gostei muito do sistema “war” de dominação de tribos e regiões, algo trabalhado em jogos como AC Odyssey e AC Valhalla, e também nos dois jogos Middle-Earth Mordor.

E o narrador? EU ADOREI logo de início ter um narrador do jogo e que me acompanharia por toda jornada. Aí depois de algumas horas, ou dezenas, você acaba se enchendo um pouco, sabe? Similar ao que comentei esses dias em Maneater, gosto da perspectiva em terceira pessoa e no caso do jogo do tubarão, combina perfeitamente pois não é o tempo todo. Talvez aqui em BIOMUTANT, ter momentos chave sendo narrados e nos diálogos do mundo ter apenas uma legenda (já que falam em um idioma caricato-animalesco) ajudaria. Fica aqui a provocação: será que tudo em um jogo deveria ser DUBLADO?

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Meio, Ambiente e Mutação

E vamos com mais uma provocação. Quando um jogo me apresenta escolhas, e como aqui de moral “Luz e Trevas”, gosto sempre de selecionar as mais diferentonas e contrárias da jornada do herói comum e corrente. Com BIOMUTANT não foi diferente! Já de início, optei pelo lado sombrio da aventura e sempre que possível, aplicava o modo caótico pensando: “até onde o jogo pode me levar?”.

É fato que a direção que o jogo te leva é em salvar a Árvore da Vida, trazer um olhar mais sustentável e ser family friendly com o Meio Ambiente. Até aí tudo certo, mas para quem optou o lado da “Luz”, não é? Em alguns momentos da narrativa, os diálogo levavam para contra o que eu queria, tiravam um pouco dessa liberdade ser mais caótico; acho um pouco frustrante, já que, se a proposta é ter esta dicotomia, que exerça em sua totalidade.

É fato que o jogo é muito divertido, colorido, traz uma temática importante e roteiro interessante, e bem, te faz querer ver “no que vai dar” este mundo totalmente destruído, claramente uma analogia com nossa realidade e quanto a isso, tudo certo. Mas é fato também de que os problemas de BIOMUTANT, muitas vezes não tão explícitos (tirando os crashes relatados no PlayStation 4), comprometem o abrilhantamento deste jogo que tenta ser um AAA, mas sem alma.

Um jogo grandioso, se manter dentro deste calibre de campanha de mundo aberto, deve impactar com sua identidade única e ir além da estética. Talvez mais alguns anos de produção, comprometimento de world building e detalhes do mapa/campanha teriam dado a BIOMUTANT sua identidade e lugar devido na indústria dos jogos de mundo aberto. Ainda assim, vale a jogatina!

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