Inspirado na série homônima de 1983, As Viúvas mostra um grupo de mulheres que precisam pagar a dívida de seus maridos ladrões. Porém, aquilo que está sendo assistido vai muito além, uma profundidade maravilhosa e icônica que pode ser ofuscada por um roteiro pouco convincente e trama arrastada do início ao fim.

Isso coloca um filme que era para ser genial, ser duvidoso e ser direcionado apenas para um público: as mulheres, principalmente as negras que moram na periferia.

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Poderoso em conceito e história

Esse filme se mostra poderoso, tanto em conceito quanto em história, a ideia de colocar mulheres para pagar as dívidas de seus ex maridos se mostra impactante, e ainda mais real, pois elas nunca aplicaram um assalto, então é claro que alguns problemas aconteceriam, mesmo assim elas se mostram fortes com cada problema durante o plano, porém fragilizadas pelo envolvimento com o medo da morte, afinal são seres humanos.

Um casal que se mostrou maravilhoso, Liam Neeson e Viola Davis dispensa apresentações, e ela mais uma vez se mostrou perfeita e espetacular, o tipo de atriz que pode-se entregar qualquer papel, com uma atuação será extrapolada por sua maestria e beleza.

Viola Davis precisa dividir tela com outra genialidade que pode ser chamada de prodígio. Daniel Kaluuya com sua expressão forte foi colocado em um papel de executor, e não foi só por suas feições sérias e fechadas que ele brilhou, de forma cruel e fria, conseguiu roubar os holofotes dos protagonistas, menos de uma atriz específica: Cynthia Erivo.

Ela traz três representações importantes em tela, a primeira é a mulher, muitas vezes chamada de sexo frágil, Cynthia mostrou que de frágil não existe nada; a segunda é a racial, não se abalando com questões racistas, pois se mostra o orgulho negro em tela simbolizado pela atriz, às vezes até mais que a própria Viola Davis; e por último mas não menos importante, o pobre, o morador da periferia que precisa se proteger e se cuidar como se morasse na selva, correr para não ser roubada e, por segurança pessoal, andar armada, pois suas condições de ser negra e pobre não garante uma segurança maior, afinal o racismo dentro da polícia norte americana é algo comum infelizmente, além de morar em um bairro perigoso.

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Desenvolvimento de Roteiro

Tantos elogios e pontos importantes podem passar desapercebidos, o desenvolvimento do roteiro se mostra arrastado porém necessário para trama, contudo há um exagero nítido com longas construções de personagens danificados, desenvolvimento lento até o plot e muitos flashbacks que foram ótimos, mas que passaram dos limites.

Toda essa junção para um tempo de duas horas, por incrível que pareça, pareceu um tempo muito curto, como se fosse um compilado, querendo explicar tudo em uma história apenas, te tirando completamente do filme e estragando o momento do plot que foi genial.

Um elenco tão caro e talentoso desse fez jus a genialidade do filme, mas um detalhe atrapalhou, e foi o roteiro. As Viúvas, além de uma série, também é um livro, o qual não é necessário ler para assistir o filme, mas que com certeza pode-se dizer que detalhes do livro, e algumas coisas da série foram colocadas em roteiro e não deixou a trama caminhar mais levemente, visto que toda a reflexão e ideologia por trás do filme comprova a maravilha que As Viúvas é em tela.

Profundidade e Simbolismo

Apesar desse problema de um roteiro arrastado, As Viúvas não só poderá como merece ter uma indicação ao Oscar por toda a sua profundidade e simbolismo da minoria, típico filme para bom cinéfilo ou qualquer mulher ou negro assistir.

Aliás é um filme que pode ser colocado facilmente na categoria feminista, e com certeza ganhará muitos pontos no público feminino, até mais que os negros, mas pode afastar o resto do público – uma pena para um filme que funcionaria para todas etnias.