terça-feira, março 3, 2026
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A Geo(química) em Sleep Token: o que as letras escondem?

Se você, caro leitor, clicou aqui, é porque já conhece a banda britânica de rock Sleep Token, formada em 2016, em Londres, Inglaterra. A banda é um coletivo mascarado anônimo liderado por um frontman apelidado de Vessel.

Eles são categorizados em muitos gêneros diferentes, incluindo metal alternativo, metalcore, post-rock/metal, metal progressivo e indie rock/pop. Depois de autopublicar seu EP de estreia, One, em 2016, a banda assinou com a Basick Records e lançou uma sequência, Two, no ano seguinte.

O grupo mais tarde assinou com a Spinefarm Records e lançou seu primeiro álbum completo Sundowning em 2019, que foi seguido em 2021 por This Place Will Become Your Tomb. Um terceiro álbum, Take Me Back to Eden, foi lançado em maio de 2023.

Okok, mas… O que tem de cientifico nessa banda? Onde a ciência se encaixa? Bom, caro leitor, é o que vamos tratar a seguir. A primeira vista, o nome de algumas músicas já nos fornece uma pista. Vamos a elas: 

Água e alteração hidrotermal

A água é o principal agente de transporte geoquímico. Ela dissolve, carrega, precipita. Em Atlantic (Album: This Place Will Become Your Tomb, 2021), o oceano é quase um reator químico emocional, no trecho: 

“Flood me like Atlantic” Demonstra a capacidade do oceano de atingir objetos, pessoas, qualquer coisa ao seu alcance. A água, por vezes, em sistemas naturais lixivia elementos, concentra elementos e reequilibra sistemas.

Na música, ocorre uma imersão emocional causadas tanto pela letra quanto pela lodia que cresce quase como a profundidade do oceano.

pH, alcalinidade e reatividade

Na música Alkaline (albúm: This Place Will Become Your Tomb, 2021), o próprio título já entrega nosso assunto, ilustrado no verso:

“She’s not acid nor alkaline” 

Afinal, o que é alcalinidade? 

É a capacidade da água de neutralizar ácidos, agindo como um “tampão” para manter o pH estável (pH – Potencial Hidrogeniônico, é uma escala de 0 a 14 que mede o grau de acidez ou alcalinidade (basicidade) de uma solução aquosa, baseada na concentração de íons de hidrogênio.

Alcalinidade controla:

  • Mobilidade de metais
  • Precipitação de carbonatos
  • Equilíbrio químico de sistemas aquosos

A letra brinca com a dualidade (polaridades químicas) para falar de ambiguidade emocional (ou transformação?) ou até mesmo do próprio amor.

Granito, resistência e fratura frágil

Em Granite (álbum: Take Me Back to Eden, 2023), temos o granito, uma rocha ígnea intrusiva extremamente dura e resistente, formada pelo resfriamento lento do magma com cristais visíveis de quartzo (sílica), feldspato (aluminossilicatos de potássio, sódio ou cálcio) e mica (grupo de minerais de silicato – sílica) como foco principal.

“Sulfur on your breath” / “Granite in my chest”

Embora o granito possua baixos teores de enxofre, este é usado para ilustrar a influência corrosiva (pois, uma de suas formas é o ácido sulfúrico). Em sua forma elementar (sólida), o elemento pode cuasar irritações na pele, olhos e trato respiratório, conversando muito bem com a temática da canção de “conflito emocional”.

Mas aqui vem o detalhe geoquímico interessante: o granito é resistente à compressão, mas é frágil sob tensão. Ele não dobra. Ele fratura. O que simbolizando a rigidez e o peso emocional que se instala, dentro de um relacionamento, sugerindo que algo sólido está sendo lentamente corroído por essa convivência. Ou seja, até o que parece maciço, estável, guarda “veios” (“rachaduras”) internos (as).

E então, caro leitor, gostou de saber dessas curiosidades? 

Gabby Roveratti
Gabby Roveratti
Naturalmente curiosa, cientista e apaixonada por metal. Adora flertar com a divulgação cientifica e sempre busca justificativas para legitimar seus hiperfocos.

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