O Japão tem uma longa tradição de duplas musicais femininas que conquistam fãs pela autenticidade e pela química entre as artistas. O REIRIE, formado por Rei e Rie, é o exemplo mais recente — e talvez o mais singular — dessa tradição. As duas se reencontraram em janeiro de 2023, após anos seguindo carreiras separadas: Rei à frente da banda de rock BRATS e da marca de moda ‘suiciDe’, e Rie construindo uma trajetória como atriz e modelo. O reencontro não foi planejado, mas, como as próprias descrevem, parecia inevitável. “Não foi uma decisão tão deliberada; aconteceu de forma muito natural”, conta Rei.
Agora com um EP de estreia em uma grande gravadora, a MoooD Records (Bandai Namco Music Live), o REIRIE chega ao mercado internacional com o projeto Amethyst — e, com ele, ao radar dos fãs brasileiros. O EP transita entre o rock emotivo com guitarra e o R&B soul, explorando temas como solidão, amor na era digital e a busca por conexões genuínas em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia. Com cerca de 90% do público feminino e uma turnê de 12 cidades pelo Japão em andamento, a dupla já mira horizontes além da Ásia.
Em entrevista exclusiva, Rei e Rie falam sobre o reencontro que deu origem ao projeto, o simbolismo por trás da ametista, a música ‘AISHITEYO’ e os planos para encontrar os fãs ao redor do mundo — incluindo o Brasil.
1. Vocês se reencontraram em janeiro de 2023 após seguirem carreiras individuais — a Rei com a banda de rock BRATS e sua marca de moda ‘suiciDe’, e a Rie como atriz e modelo. O que fez vocês perceberem que era o momento certo para se unirem novamente? Houve um momento ou conversa específica que desencadeou a formação do REIRIE?
Rei: Quando nos reencontramos, as duas ficamos com aquela sensação de “bem, já que nos encontramos de novo, meio que temos que fazer isso”, então não foi uma decisão tão deliberada; aconteceu de forma muito natural. Acho que o fato de termos nos encontrado novamente depois de tanto tempo já tinha significado por si só.
Rie: A possibilidade de um dia nos reunirmos novamente com a Rei-chan sempre esteve no meu coração. Senti que se nos encontrássemos de novo, não haveria como parar. Simplesmente começaria. Não foi tanto um pressentimento, mas algo que já parecia decidido. Fui eu quem tomei a iniciativa porque queria vê-la, e acho que isso por si só é toda a resposta.
2. O EP ‘Amethyst’ marca a estreia de vocês em uma grande gravadora, a MoooD Records (Bandai Namco Music Live). Por que escolheram a ametista como conceito central? Há algum simbolismo especial nesta pedra roxa que reflita a identidade do REIRIE — especialmente considerando o equilíbrio entre luz e escuridão, fofura e perigo que vocês representam?
Rei: A ametista é conhecida como a “pedra do amor” e também é a pedra de nascimento de fevereiro. Escolhemos com a esperança de que este álbum se torne um amuleto de sorte para todos que o ouvirem. Como nossa turnê do álbum também começa em fevereiro, o momento pareceu perfeito. E quando você mistura as cores do REIRIE, azul e rosa, obtém o roxo, então isso também parece muito fiel a quem somos.
Rie: As pedras preciosas são lindas porque mudam dependendo da luz. O roxo da ametista parece uma cor secreta que contém tudo o que não conseguimos colocar em palavras. Nosso equilíbrio acontece naturalmente, então é difícil explicar, mas doçura sozinha não é suficiente, e a escuridão pura é igualmente monótona. É uma mistura de fofura com um toque de veneno por baixo. Talvez pareça assim porque nós duas o selamos em algo sólido que ninguém pode quebrar.
3. A letra de ‘AISHITEYO’ aborda temas profundos sobre solidão, inteligência artificial e a busca pelo amor verdadeiro na era digital (‘Confundindo o amor da IA com amor real, e agora não podemos escapar’). Qual mensagem vocês querem transmitir aos fãs com essa música? Como vocês enxergam a relação entre a tecnologia e as emoções humanas genuínas?
Rei: Acho que, no fundo, todo mundo quer ser amado. Mas nos relacionamentos reais, muitas vezes é difícil ser amado do jeito que você quer, dependendo do momento e das circunstâncias. Hoje em dia, as redes sociais facilitam muito a busca por validação e o compartilhamento de informações, e às vezes pode parecer que a versão de você online é mais amada do que quem você é na vida real. Esse tipo de desconexão é algo que eu realmente sinto. A IA pode te dar as respostas que você quer, quando você quer. Mas é justamente a negociação e a bagunça dos relacionamentos humanos reais que fazem o amor parecer complexo e real.
Rie: Mesmo fora da IA, acho que todo mundo tem momentos em que se torna confuso se o amor é real ou não. As palavras “me ame” são especialmente difíceis de dizer. Essa dificuldade em si pode ser o que separa a emoção humana da tecnologia. Para as pessoas, essas palavras podem parecer tão poderosas que poderiam te quebrar, então muitos não conseguem dizê-las. E, no fundo, queremos que alguém nos alcance tanto que parece que nosso coração vai parar, mas ainda assim escondemos isso. Acho que esse anseio puro e desamparado é o que preenche a nossa “AISHITEYO”.
4. O EP explora desde o rock emotivo com guitarra até o R&B soul, destacando o contraste vocal de vocês. Como funciona o processo criativo do REIRIE? Vocês participam ativamente das decisões sobre letras, arranjos e direção musical? E como vocês exploram as diferenças e a complementaridade entre suas vozes?
Rei: Para letras e arranjos, primeiro ouvimos o que nos é enviado e depois refinamos em equipe, focando nas nuances e no que parece certo para o REIRIE. A voz da Rie e a minha têm qualidades completamente diferentes, mas quando cantamos em uníssono, elas se misturam lindamente, e acho que esse é um dos nossos pontos fortes.
Rie: Juntamente com a equipe, decidimos quais músicas são possíveis apenas com o REIRIE. Se pensarmos nas nossas músicas como uma árvore, a voz da Rei-chan é como o tronco, e eu sou como as pequenas folhas que crescem a partir dele. Eu me divirto cantando, mudando meu tom de diferentes maneiras, guiada pela voz dela.
5. O REIRIE é conhecido pelos visuais marcantes que misturam materiais contrastantes como renda, pele e couro. Rei, você fundou a marca de moda ‘suiciDe’. Como sua experiência com moda influencia a identidade visual do REIRIE? Ambas participam ativamente das decisões de figurino e direção de arte para os projetos de vocês?
Rei: Desde o início, trabalhamos com a equipe rurumu nos figurinos do REIRIE. A designer, Kanae-chan, entende muito bem nossas personalidades, senso de equilíbrio e gostos, então geralmente confiamos a direção geral a ela. A partir daí, cada uma de nós discute e solicita ajustes nos detalhes mais finos.
Rie: Sempre pedimos para a Kanae Higashi da rurumu criar nossas roupas. Damos a ela referências simples, como o estilo que queremos, e então ela desenvolve a partir disso, adicionando e refinando elementos que refletem cada uma de nós. Não é tanto sobre dirigir ativamente a arte, mas sim que, para sermos fiéis a nós mesmas, naturalmente escolhemos esses tipos de materiais. Ser apenas fofa seria chato, e ser apenas durona pareceria falso. Esse estado intermediário pode ser o que visualiza quem somos por dentro. Amo todas as nossas roupas.
6. É notável que a maioria dos fãs do REIRIE sejam mulheres. A que vocês atribuem essa conexão especial? O que vocês acham que as mulheres encontram na música e nas mensagens de vocês que ressoa tão profundamente? E o que gostariam de dizer às fãs brasileiras que estão descobrindo o REIRIE agora?
Rei: Cerca de 90% dos nossos fãs são mulheres, e acho que muitas delas cresceram ao nosso lado. O REIRIE não é um relacionamento fabricado. Somos apenas duas pessoas reais que se conheceram naturalmente, e acho que essa autenticidade é o que atrai as pessoas e com o que elas se identificam. Ficaríamos muito felizes se os fãs no Brasil também pudessem ver e se conectar com esse relacionamento real entre nós ❣️
Rie: Assim como o REIRIE parece destino, acho que os fãs que se sentem atraídas por nós compartilham esse mesmo tipo de conexão. Há algo especial entre nós, onde as pessoas ressoam com, ou até se sentem salvas por, as emoções cruas e músicas que não podemos compartilhar com mais ninguém. Esse tipo de atração, esses sentimentos, não podem ser parados. Eu ficaria feliz se você sentisse o mesmo.
7. Atualmente, vocês estão no meio da ‘REIRIE Live Tour 2026 -Amethyst-‘, a maior turnê da carreira de vocês, cobrindo 12 cidades no Japão. Como tem sido essa experiência? E, considerando que o projeto ‘Amethyst’ representa um passo estratégico em direção à expansão internacional, existem planos concretos para turnês fora da Ásia, incluindo a América Latina e o Brasil? Por fim, vocês poderiam deixar uma mensagem especial para os fãs brasileiros que estão descobrindo o REIRIE agora?
Rei: Ainda estamos trabalhando nos planos concretos, mas um dia queremos ir encontrar os fãs do REIRIE em todo o mundo. Para todos no Brasil que estão nos descobrindo pela primeira vez, com certeza iremos encontrá-los aí um dia ★
Rie: Nesta turnê, estamos realmente sentindo o quão especial é poder ir aos lugares onde as pessoas estão esperando por nós. Tem sido muito divertido, e estamos fazendo muitas novas descobertas ao longo do caminho. Quanto aos nossos planos internacionais, por favor, aguardem!! Para todos os fãs brasileiros, vamos nos divertir juntos.
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