Fobia é uma obra que retrata os medos humanos e como eles podem enlouquecer uma pessoa. Ou, em outras palavras, é a obra mais esquisita, absurda e angustiante que você vai encontrar na sua prateleira de mangás.
A mente responsável pela história dos capítulos é o autor Katsunori Hara, e Yukiko Goto pela arte (maravilhosa).
Aqui no Brasil, a Editora JBC nos traumatizou presenteou com a coletânea de três volumes. Até o momento, tivemos a oportunidade de ler os dois primeiros mangás e compartilho com vocês as minhas impressões.
Fobia: um medo irracional
Estamos acostumados com esse termo. Todos conhecemos alguém com fobia de aranha, de palhaço, cobra e por aí vai. Então, pegue tudo o que você conhece sobre o termo e jogue fora para ler esse mangá.
Ele vai ressignificar o seu entendimento e a profundidade desse termo. Afinal, mesmo quando falamos de medos comuns, como de altura ou de lugares fechados, nada irá te preparar para o que você está prestes a ler.
A fobia é aquele medo sem explicação, que nos consome por completo, que traz à tona nossos instintos de fuga e sobrevivência.
Porém, até que ponto alguém pode chegar para se livrar dele? Quais peças a mente humana pode pregar quando está cega de pavor?

Esse mangá vai te dar as respostas mais extremas para essas perguntas.
Sofrimento humano
É isso que encontramos em cada página de Fobia: sofrimento. Alguns completamente irracionais e outros que conseguimos nos identificar. Porém, a medida que eu avançava na leitura pensava “não tem como ficar pior”. Tem, sempre tem.
Por exemplo, a coletânea começa com uma história sobre medo de frestas e você pensa “Medo de frestas? Não é tão ruim assim”. Até você perceber que existem frestas em todos os lugares, inclusive no corpo humano.
Então, quando você termina o capítulo, de queixo caído, pensa “meu deus, essa foi só a primeira história”.
E a próxima é sobre uma garota tão obcecada por seu cheiro corporal que encontra uma solução irreversível para isso. Em seguida, o medo de altura e a humilhação que ele pode causar te lembram da perversão do ser humano — porém, esse teve o final que merecia.

Enfim, entre os medos de rejeição, feiura, estatura alta, lugares fechados e tantos outros, Katsumori e Yukiko conseguem despertar no leitor uma verdadeira sensação de angústia, terror e desconforto.
Com isso, não espere finais felizes aqui, pois não vai encontrar nem sombra deles.
Inclusive, o último capítulo do segundo volume, “Feiura”, me destruiu completamente. Ele dói no corpo, na alma e na memória cada vez que eu lembro até que ponto a busca por um padrão de beleza pode chegar. Devastador. Uma obra de arte.
Não é para qualquer um
Sendo assim, eu digo que totalmente recomendo a leitura, mas realmente não é para qualquer público.
Além da violência extrema e de cenas pesadas, a obra contém muita (muita mesmo) nudez e erotismo. Não à toa é para maiores de 18 anos e, ainda assim, para quem gosta de um terror bem perturbado.
Assim que terminei de ler, minhas exatas palavras para um dos meus companheiros Sucolinos foram “Horrível é pouco. Perturbador. Doentio. Eu amei”.
Então, com certeza indico Fobia para aqueles malucos que, assim como eu, gostam de ver os maiores absurdos que a arte pode nos entregar.



