Yuri!!! on Ice | Review

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Semana passada tivemos o episódio final daquele anime, o Yurio N Ice. Digo, Yuri!!! on Ice. E o que eu achei dessa montanha russa de emoções, reviravoltas e dramatização?

É… complicado.

Eu vou jogar um negócio: eu provavelmente gostei menos de Yuri On Ice do que a fangirl média, e dois são os motivos principais para isso: queerbaiting intenso e previsibilidade dos acontecimentos. Mas eu vou desenvolver isso na resenha. Fato é que por mais que o anime tenha me empolgado, especialmente por causa dos comentários, fanworks e etc, eu não gostei tanto assim do anime em si a ponto de estar aguardando ansiosamente a segunda temporada. Me agradou sim, mas tecnicamente eu acho que deixa a desejar.

Agora que já joguei isso e quem ia ficar bravo já saiu do site, posso continuar e falar da série!

Um novo Free!? 

Yuri!!! on Ice é uma série de 12 episódios que estreou nessa Temporada de Outono e terminou esses dias, para você que está vivendo isolado em uma montanha e não ouviu ninguém berrando sobre ela. Animada pelo estúdio MAPPA (Zankyou no Terror, Sakamichi no Apollon), sua estreia foi muito antecipada por ser um anime sobre patinação no gelo, o que não é tão comum assim, e também por prometer ser o novo Free!, por seu elenco com vários bishounen que praticam esportes e se agarram com igual frequência. Desde o princípio, uma animação relativamente vistosa, bishounen – como prometido – e muito drama deram o tom da série e fizeram com que ela cumprisse as expectativas, no geral.

Eu tenho algumas coisas a dizer sobre isso, a começar pelo fato de que essa temporada teve como destaques Keijo!!!!!!!! e Yuri On Ice. Sério. Saí com uma amiga e conversamos sobre isso e cheguei à conclusão de que os fãs de anime andam gostando de umas coisas muito… diferentes do passado. Não, a temporada não estava ruim assim; teve Sangatsu no Lion, os divertidíssimos Watashi ga Motete Dousunda e Nanbaka (“Chell, você está só citando suas apostas?” É que nessa temporada minhas apostas foram as melhores, deal with it), além de novas temporadas de séries como Hibike! Euphonium, Haikyuu!!, Gundam: Tekketsu no Orphans, Natsume Yuujinchou, Bungou Stray Dogs. Quer dizer, não foi falta do que assistir, foi que o pessoal parece realmente ter dado preferência às séries de fanservice e não àquelas com boa história. Vamos refletir sobre os fatos.

Enfim, isso não é uma crítica porque quem me conhece bem, sabe que eu não dispenso um Free!, um shoujo de otome game ou mesmo o eventual BL, mas me incomoda um pouco que essas séries que eu mencionei não tenham passado no radar de tanta gente. Posso garantir que as quatro primeiras estão excepcionais (até onde vi, e espero resenhar aqui depois!) e as quatro últimas tem notas ótimas, então por quê? Fim das reclamações sobre a temporada, vamos falar então de YOI.

Yuri x Yuri

YOI conta então a história de Yuri Katsuki, um jovem patinador que sempre sonhou em ser um grande patinador no gelo e que ensaiou por muitos anos inspirado por seu ídolo Victor Nikifarofa Nikiforov, e então quando ele chega no seu primeiro campeonato mundial ele zera. E quando eu digo zera, quero dizer a nota. Ok, ele não zerou, mas tirou uma nota bem ruim. Um outro Yuri, um russo chamado Yuri Plisetsky, vai atrás dele no banheiro e diz que ele deve se retirar da patinação se é pra ficar pagando micão, porque na patinação só tem espaço para um Yuri. E então o Katsuki resolve voltar pra sua vidinha em família no Japão, com seu cachorro e seus amigos de infância, depois de brevemente sentir o calor dos holofotes – e não aguentar a pressão.

História legalzinha, nada especial ou que justifique tal fama, concordam? Bem, aí vem uma reviravolta bastante interessante. Katsuki obviamente sente muita saudades da patinação, mas continua patinando no ringue em que treinara desde a infância. Mesmo engordando, um belo dia ele decide fazer a rotina super complicada do seu ídolo, o Victor. E ironicamente ele faz super bem quando não está sob pressão. Sucede que a rotina foi gravada em um celular, viralizou na Internet, e quem assistiu e adorou? Victor. Qualquer semelhança com a patinadora de Sailor Moon pode ou não ser mera coincidência. A graça é que um dia o Katsuki chega em casa e tem um cara nas suas termas, uma “visita”. Adivinhem quem?

Leia também: Patinação no Gelo | Suco Apresenta

Bonitinho, né? Ok eu confesso que esse primeiro episódio me cativou. Eu sou uma senhora e uma história não me ganha automaticamente só porque coloca um twist século XXI em uma narrativa clichê, mas tem potencial! Victor é louco de pedra, Katsuki precisa entrar em forma, Yurio (vulgo Yuri Plisetsky) é um estereótipo de rival babaca fascinante e cheio de potencial, a menina tem um crush no Katsuki, a família dele é adorável… dá pra fazer umas coisas bem legais aí, né? Só que não, porque só temos 12 episódios e como isso é um anime de esportes, 6 desses vão ser gastos em cenas de patinação e mais cenas de patinação nos campeonatos nos quais o Katsuki vai competir, agora com a ajuda do Victor, até ganhar ou não ganhar o último pódio. Então tem todo esse universo interessante, mas a história tem um senso de progressão forçada muito comum ao shounen de esportes médio que não permite desenvolvimentos.

Incômodos

Assim, todas as tensões que não são relativas ao esporte são resolvidas sem tensão. Precisa emagrecer? Puf! Dramas pessoais? Esquece! Cachorro adoeceu? Curou! … parece até a vida real em que não se tem tempo pra refletir sobre nada. Sério, que horror, não é pra isso que eu vejo ficção escapista. Igualmente água-com-açúcar são os romances. Até hoje eu não sei a resposta canônica para o “foi ou não foi?”, mas o fato é que não existe nenhuma profundidade emocional nos romances e digo romances em geral. Chris, por exemplo, sempre patina para a namorada e o outro dramático (qual é o nome dele, mesmo?) também, mas parece que tudo culmina em uma aliança e aplausos. E como polemizar é legal, joga ali umas traição drama incesto. Meio que nem final de novela da Globo: tudo é meio espetacularizado e sem sal. E por falar em gente que eu não sei o nome: o monte de personagens com potencial que nunca vimos nos batidores. Enfim, várias coisas. O fato é que tem todas essas coisas que ficam jogadas, e por mais que seja uma estratégia ótima para vender doujinshi (afinal, nada divulga tão bem fandom) em geral essa sensação de que tudo foi condensado ao seu mínimo impactante me incomodou um pouco. Desculpa, eu sou dos josei. (Ou como bem colocado por um sujeito no MAL: ao invés de tentar um dos seus axels quadruplos carpado e cair de bunda, o anime prefere deslizar tranquilamente no gelo o tempo todo.)

Depois: rola queerbaiting forte, não só fanservice. Eu curto fanservice, curto um kabedon no amiguinho, mas peraí. Colocar um abraço com os braços na frente é o cúmulo do “queremos vender muito material pra fujoshi sem por nada em risco com isso”. Culpa das minhas expectativas de que YOI fosse o novo No. 6 em termos de fazer os Guardiões da Heterossexualidade surtarem, mas preciso dizer que queerbaiting é um negócio que tem me incomodado. Ser blogueira de anime e ver como séries como Free e YOI são cem (sem exageros) vezes mais populares do que um remake de Ai no Kusabi cancelado por falta de vendas jamais será provavelmente tem culpa nisso, também. Então tem todo esse misto de sentimentos de “estou sendo feita de trouxa” que eu tolerava melhor antigamente. Eu provavelmente estaria com a galera do hype também se realmente tivesse rolado beijo, e não sei se é bom ou ruim que eu esteja só observando de fora comendo minha pipoca.

Eu queria deixar claro que eu não vejo esse olhar de uma pessoa competente que quer ajudar uma pessoa competente que não sabe bem seu potencial desde Gravitation. Desculpa. Só joguei.

E o terceiro ponto que me incomodou em YOI, e talvez o único que me incomodou profundamente, foram as competições em si. Talvez se eu não estivesse incomodada com as competições eu o avaliaria subjetivamente melhor, mas eu fiquei incomodada com várias coisas. Além, claro, dos personagens com pouco destaque aos quais eu era convidada a me importar (colega: não ligo se você ganha ou perde, mostra o Yuri), o que mais me incomodava eram os resultados. A narrativa de YOI abraça alguns conceitos e ideias que são falsos. Não quero tornar essa discussão muito profunda, mas o fato é que ela vai contra 90% dos desenhos japoneses de esportes nos quais naturalmente o personagem batalha loucamente para “chegar lá” e chega. Spoilers: O Katsuki batalha, batalha, e… continua perdendo exceto pelo poder do amor e não ganha no final. O negócio é que isso só não é realista, pode perguntar para qualquer atleta. Eu gosto de coisas imprevistas, reviravoltas realisticamente tristes e coisas inesperadas (mentira, eu não gosto assim como não gosto de anime DEEP que normalmente tem dessas, mas respeito quando é feito com seriedade) mas o frustrante é que até isso é tratado com certa superficialidade em YOI. E foi isso o que mais me frustrou na série: o potencial para ser incrível, e a execução que não foi.

Ritmo & Coreografia

Mas vamos falar então do lado bom de Yuri!!! on Ice, que é o lado que eu não tive bagagem cultural para curtir? A música é interessante e realista, digamos; são músicas plausíveis para coreografias reais. Preciso dizer que detesto a abertura ao contrário de muita gente, o que já mostra o quão não-artística-e-sensível eu sou para YOI perto de muita gente, mas adoro o encerramento e até acreditei por alguns episódios que ia rolar algum momento tão bom quanto o encerramento. Não entendo nada de patinação, mas sei que pegaram videos de patinadores reais para desenharem e tudo é bastante realista à técnica. Patinadores inclusive tem gostado muito do anime. Patinadores reais fazem aparições breves, especialmente patinadores japoneses – o Nobunari Oda, por exemplo, chegou a fazer a voz do personagem da sua aparição! – e tudo parece ter sido bastante baseado em fatos reais. Como nada entendo só acho bonito, não consegui apreciar isso como deveria, mas li o suficiente para saber que é mesmo bastante fiel.

YOI também sofre daquele problema chamado “o estúdio não é tão rico então cortam o orçamento pela metade nos episódios do meio”, tão comum. Ela nunca a ser realmente horrível, sempre bem passável, mas preciso abrir o jogo e dizer que a animação não é tão boa quanto as fangirls tem falado por aí. Você fica vidrado nas cenas pelos exatos mesmos motivos que você ficaria na patinação real: você quer ver possíveis quedas e se tudo vai sair tão certinho quanto você espera. Não tem muitos jogos de luz e cores nem nada, e algumas vezes, especialmente nos episódios do meio, nas apresentações com músicas mais monótonas, não é tão interessante quanto poderia ser – bem irônico considerando a abertura da série, aliás. É meio, eh, pouco artístico. Novamente, questão das expectativas em alta. Não venha esperando um Free! porque né, KyoAni. Fim da puxasaquisse nesse post.

O ritmo da série é bom, sempre acabava terminando com alguma ponta aberta importante para atiçar a curiosidade para o próximo episódio. Novamente: YOI sendo ótimo no seu marketing, mas péssimo em outros sentidos; desculpa, eu não acho Yuri On Ice uma obra prima em termos de narrativa pelos motivos supracitados. Eu consigo entender que nem todo mundo quer que seu anime seja um romance do Goethe, mas o foco claro de YOI na estética e superfície em detrimento de caracterização ou desenvolvimento de enredo é um negócio que você inevitavelmente sente – e lhe cai mal se você não costuma gostar disso em anime, mas é uma tendência inegável da década. E se você não chorou no final de Yuri On Ice, você ganhou. Alguma coisa. (Não sei bem o que.)

A mim, a série decepcionou por ir pelo seguro, pelos clichês e modas atuais, que eu pessoalmente não gosto. O anime do ano pra mim foi Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu, por aí se vê como eu não gosto. O resumo é que mesmo reconhecendo que é um anime acima da média e um que me empolgou, eu meio que não gosto tanto assim de Yuri On Ice; eu só acho bonito e razoavelmente empolgante do ponto de vista da fujoshi que eu sou, e da crítica de ficção eu acho bem sem sal. Desculpa se decepcionei.

Por fim, desculpa se soo excessivamente crítica aqui. Talvez tenha pego pesado no tom. Não foi de propósito, sério, foi a falta de inspiração. Bem ou mal, YOI só me inspira para escrever sobre o que poderia ter sido e não o que foi. Mesmo assim, espero que tenham gostado dos comentários e convido-os a compartilharem aí embaixo os seus! Adoraria saber o quão populares essas minhas opiniões são, e vai que eu estou viajando. Enfim, muito obrigada a você que leu até aqui, e até os próximos #REVIEWS!

Chell

Michelly, mais conhecida por Chell. Vinte e um anos de idade - como diria Haruka Nanase, "prodígio aos 10, gênio aos 15, e apenas uma pessoa normal aos 20". Gosto dessas formas japonesas de escapismo, e de falar sobre tudo que eu vejo também. Tenho um blog chamado "Not Loli!" e posto eventualmente aqui no SDM :3

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