BMQMNQ #4 – Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss | Obras de contrastes e aceitação da sombra

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Hey~ Olá, dears!  Para começar essa quarta e última parte do Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss, a priori, darei mais enfoque para algumas particularidades de Kuzu. Na sequência, irei fazer uma síntese de ambas as obras e pontos que julguei interessante para introspecção.

Anterior: BMQMNQ #3 – Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss | O amor é tóxico?

Kuzu – questões e reflexões

Fiquei devendo comentários mais aprofundados e consistentes do Kuzu – dado que ainda estava lendo a série. Já aviso, estarei me baseando no mangá em específico para fazer as considerações a seguir (creio que entre ele e o anime temos apenas leves diferenças).

Amor

Seja amor não-correspondido, seja o “substituto”, seja ele como centro do enredo e afins. Acredito que já deixei minha opinião sobre o tema explícita no último artigo da coluna. Porém, vale retomar: amor não é tudo. Aliás, me corrijo: amor pelo outro não é tudo. A pessoa não pode viver em função de terceiros e esquecer de si, assim como também não é saudável basear o amor próprio com referencial em outros. Da mesma forma, um ser humano não pode viver somente em função de si e totalmente alheio aos demais. Ambos os casos são dois extremos e podemos observar tais questões personificadas nas personagens Hanabi e Akane. Na sequência, irei fazer uma síntese de ambas as obras e pontos que julguei interessante para introspecção.

Ebato em Kuzu no Honkai (Imagem Divulgação)

Autoestima

Nesse sentido, a autoestima e como se constituí o amor próprio também são dois tópicos importantes de se refletir. No caso das duas, há tanto em demasia quanto em falta, todavia, até que ponto estão relacionadas? Como se constituí uma auto-estima? E o amor próprio? Amor e zelo por si, pela sua pessoa?

Solidão

Outro tema que aparece, todos intimamente intrincados a meu ver, é o da solidão. Por repetidas vezes, na obra os personagens fazem alusão ao vazio que sentem, à “falta de algo” que os preencha. Por vezes, acreditam que o amor é que cumprirá esse papel.

Penso que, na condição de humanos, não vivemos sozinhos. Somos seres sociais, dependemos um do outro em maior ou menor proporção. Porém, ainda assim, no fim: estamos sozinhos. Cada um convive com sua própria solidão em maior ou menor grau. O truque é não ser consumido por ela, e também, não a encarar como algo estritamente negativo. Quem nunca precisou de um momento a sós para pensar sobre algo? Ou mesmo, sentir-se em paz? (Quem não, não sabe o que está perdendo. Alguns gostam de chamar isso de “meditação” ;])

Desejo

Aqui eu queria pontuar duas coisas. Primeira, desejo não diz respeito somente ao âmbito carnal – seria muito restritivo levar assim. Segundo, quero separar ele em erótico e platônico ou irracional e racional.

Uma questão do mangá que me incomoda: assumir uma postura condenável para quem vive guiado por desejos. Não é específico, aqui eles generalizam, ora por encontrar conforto no desejo carnal, ora por desejar algo que não “socialmente aceitável” e assim por diante. O desejo é tido como algo inerente ao ser humano, mas igualmente condenável. Porquê? Porque deve sempre haver um cunho moral atribuído, ou mesmo, uma valoração negativa-positiva?

Sentimentos

Em relação a esse tópico, fiquei matutando como a todo momento parecia haver uma luta para domar os sentimento e aprender a controlá-los. Do meu ponto de vista, creio que controle implica um direcionamento consciente. Contudo, nem sempre somos conscientes. O inconsciente também é muito poderoso e influente. Com os sentimentos não seria diferente. Ou seja, é possível dobrá-los até certo ponto. Há um limite para tal. Daí em diante já não diz respeito a vontade, controle, esforço e afins – acho que por isso muitos falam “o tempo cura tudo” ou “dê tempo ao tempo”, pois ‘tempo’ dá tempo para o inconsciente agir.

Ademais, creio que é interessante citar como com cada vez mais frequência as pessoas preferem não entrar em contato ou mesmo criar vínculos e se aproximar, escondendo-se atrás de papéis, imagens, máscaras. Claro, a questão é muito mais complexa – e tenho certeza que ainda abordarei em outros textos -, por isso já vou pedir desculpas pela minha simplificação.

A meu ver, por trás disso há vários medos. Um medo muito grande de se expor, de entrar em contato consigo e com o outro, de formar vínculos e, principalmente, de se machucar. Vou pegar a relação da Hanabi e da Ebato, pois acho ela bem ilustrativa nesse aspecto. Em especial, na cena (veja imagem abaixo) que elas parecem se enxergar pela primeira vez, depois de finalmente terem colocado boa parte de seus sentimentos a limpo, sendo sinceras uma com a outra.

Claro, não é fácil sermos sinceros sempre ou mesmo expor pensamentos. Todavia, parte da criação de vínculos com alguém tem a ver com desenvolver um mínimo de confiança e, para isso, destruir algumas barreiras que possam existir para esse contato.

Sentimentos a limpo entre Hanabi e Ebato em Kuzu no Honkai (Imagem Divulgação)

Términos e mudanças

Falar de términos não é fácil. Especialmente, porque muitas vezes não se quer que algo chegue ao fim. No geral, términos remetem a um conflito, eis que conflitos parecem ser coisas assustadoras e a serem evitadas. O que muitas pessoas não contam dos tão temidos conflitos, crises e afins é que eles são um sinal de que algo não funciona de determinada maneira. Ou seja, quando ele passa – ou está na transição – ocorre uma mudança. A crise transforma e o término é o marco disso.

As pessoas tem medo de mudanças pois ela é algo diferente, é lidar com o desconhecido e sair da sua zona de conforto – por mais incômoda que seja. Claro, nem todo mundo é assim. Também há os que sempre estão procurando mudar.

Achei interessante falar desses dois elementos porque tanto Hanabi quanto Mugi são a personificação deles. Ambos funcionavam de uma maneira e resistiam a mudar. Passaram por crises e sofrimentos, provações. Por fim, ocorreu a mudança. E eles já não conseguiam funcionar da forma de antes.

Sombra

Vou pegar emprestado ‘sombra’ na definição junguiana mas, ela também pode ser levada no senso comum. O que quero dizer com isso é que sombra se refere ao nosso lado ‘obscuro’, seja de conteúdos que ocultamos, seja de coisas que não aceitamos em nós e nos outros, seja que não trabalhamos.

É de praxe negar a sua sombra e simplesmente condená-la ou ignorá-la. Os personagens por vezes veem essas características subdesenvolvidas ou que atribuem como negativas e as refutam. Também, por vezes, aceitam como algo imutável, algo inerente a si. Ela os persegue, os faz ficar mal, julgarem-se.

Entretanto, apenas quando entram em contato com ela e verdadeiramente aceitar como parte de si é que conseguem se transformar. A sombra não é algo necessariamente ruim, mas também não é algo fácil nem agradável de se lidar. Se haver com ela implica em trazer a tona conflitos e inquietações, muitas vezes, os mais obscuros e ocultos, que não se quer ter ciência. No entanto, como já havia dito, crises e transformações andam de mãos dadas. O mangá mesmo é a prova disso.

Kuzu no Honkai (Imagem Divulgação)

Final (contém spoilers)

Para encerrar essa parte, queria fazer um breve comentário sobre o final. Percebi muitos insatisfeitos que Mugi e Hanabi, apesar do forte e visível vínculo que possuíam, não ficarem ou nem tentarem ter algo juntos. Sobre isso, fiquei um tanto quanto contrariada que eles nem tentaram e simplesmente seguiram suas vidas. Porém, creio que levando em conta a proposta do enredo, o final foi muito coerente.

Ambos se encontraram por acaso e ainda irão viver muitos encontros e desencontros. Ainda vão lidar com os próprios sentimentos e procurar suas respectivas respostas. Eles foram companheiros importantes nessa etapa de suas vidas, não obstante, não quiseram estender esse vínculo que tinham.

Fez sentido pois os dois começaram a história sozinhos com suas questões e assim terminaram. Já não são os mesmo, mas irão carregar consigo o aprendizado e amadurecimento que tiveram. E que a importância de um para o outro e do que eles precisavam já não é a mesma. Antes, meros parceiros e substitutos, e no final, como companheiros de verdade e conhecendo um ao outro.

Ambos se buscavam justamente por não conseguirem lidar com a solidão. Contudo, depois do que passaram, puderam perceber que era justamente o que precisavam, aprender a seguir por si mesmos e assim o fizeram. Não como substitutos, não como lixo, mas como pessoas. Esse era o desejo deles transformado.

Velvet Kiss (Mangá)

Se formos parar para analisar, a Velvet é uma obra mais aberta e delicada. Digo isso pois, para além das cenas eróticas, as questões da trama e do enredo vão surgindo aos poucos. Elas tem um quê mais sutil e vão penetrando aos poucos na mente do leitor, por vezes, passando despercebidas. Todavia, em uma segunda leitura ou uma leitura mais crítica e atenta, saltam à vista e nos propõe inquietações diversas.

Além disso, também é quase explícita o ideário de “beleza na tristeza”, cujo qual é revelado em sua boa dose de drama. No entanto, a obra não se mantém no lado belo da coisa, e sim, também explora o lado ‘sujo’ e ‘feio’ por trás dessa suposta beleza – e, nesse sentido, pode-se entender tanto a beleza estética quanto do enredo.

Como um todo, tem-se uma crítica velada e um tanto suave de várias questões. Frequentemente, as indagações são deixadas em aberto ou sem respostas definidas (implícitas). Entretanto, a grande resolução e trajetória que traz é da busca de si. Assim como no Kuzu, os personagens passam por dificuldades e tem que se haver com dúvidas e inseguranças. Há uma constância no papel do outro como apoio, porém, no fim, eles precisam crescer e amadurecer por si só.

Diferença: na Velvet há uma promessa de reencontro, de uma melhora por si para depois retomar a relação com o outro, enquanto na Kuzu… Bem, veremos a seguir.

Fanart feita pela Nairi! (confira a página do facebook dela AQUI).

Kuzu no Honkai (Mangá)

Já quis deixar claro que me baseei no mangá pois podem existir certos nuances de diferenças – que, no entanto, não creio que alterem o conteúdo da análise, afinal a obra é a mesma. E já falando de aspectos da obra propriamente dita é evidente que, em comparação a Velvet, ela é bem mais explícita e direta, ainda com um quê subliminar. (O quê, ironicamente, não se aplica às cenas eróticas. Dado que na Velvet elas são o enfoque e na Kuzu nem tanto.)

Mais uma vez, aparece a pretensa admiração pelo sofrimento – vulga, “beleza na tristeza” – que citei antes. Acredito que essa característica tem um viés cultural muito forte na cultura oriental, não à toa, existem tantos dramas por lá. (No sentido mais amplo e não como crítica, que fique claro, por favor.) Isso se verifica em como a questão do drama é diferente na nossa cultura.

Ademais, diferente da Velvet, muitas vezes as respostas para os inquietamentos dos personagens são expostos na própria série. Repetidamente, em um capítulo a resposta ou o desenvolvimento de outro ponto de vista para uma mesma questão, sendo feitos.

Penso que na obra há uma crítica mediana, de forma que ela começa mais pesada e depois fica amena, mesmo porque não trata de assuntos simples. Particularmente, gostei de como ela cutuca o leitor com suas questões e como faz os próprios personagens debaterem internamente.

Por fim, como já disse antes, tanto Kuzu como Velvet retratam a saga pela busca de si. Seja por aprenderem a cultivar amor próprio, seja por se conhecerem melhor e se aceitarem. Ou mesmo, aprenderem a agir de forma mais ativa em suas vidas – e não, deixar ela seguir passivamente. Serem sujeitos e protagonistas de sua própria história.

Resolução:

Aqui gostaria de sintetizar e explicitar o desfecho da construção de ambas as história. Acho importante ressaltar que elas têm na prática a mesma resolução (!) com pequenas diferenças. Nela, cada indivíduo deve buscar sua própria resposta, não sendo igual para cada um. Todos devem aprender a andar sobre seus próprios pés pois, seria muito mais simples ter o outro como “muleta”. Eis que, no entanto, o caminho correto nem sempre (frequentemente não) é o mais fácil. Árdua, a felicidade não é tida como meta, e sim, um estilo de vida transformado – feita de pequenas alegrias e realizações, ainda com seus altos e baixos. É necessário se abraçar tanto a luz quanto a sombra para constituir um inteiro.

Well, e com isso encerramos a Kuzu no Honkai vs Velvet Kiss! Espero que tenham gostado~ :3

Ainda tem vários temas que podemos conversar, ou mesmo, se tiverem mais alguma ideia, sugestão são sempre bem vindos!

Por fim, quero agradecer a Nairi Kim (Nairi’s Sketchbook) pela linda fanart da Kanoko com o tema da BMQMNQ <3

E também a contribuição da sucolinda que sugeriu yaoi de tema <3 <3 Pode ter certeza que está na lista, dear.

Até a próxima!

 

Megu

Pessoinha feliz que as vezes está de mal humor, mas é um doce com os outros. (Educação em primeiro lugar, claro u-u) É um tanto atrapalhada e azarada – “um tanto” = multiplique a porção que você pensou por 100, é mais ou menos isso. Nem sarcástica. Também nem é irônica. Em suma, um amor de ser humano.

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