Arte Cosplay | Origens

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Se você já acompanha o SUCO desde os primórdios, já sabe que o cosplay sempre esteve presente em nosso barco. O cosplay encanta com suas cores,  embelezam os eventos e não importa se o dia está com um tempo de chuva ou aquele sol escaldante: O cosplayer estará lá, firme e forte, mostrando sua dedicação na criação e interpretação de seu personagem favorito.

Como se deu a origem desta prática e terminologia? Se procurar nas interwebs, vai encontrar que os primeiros cosplayers apareceram em 1939 no Worldcon e o termo cosplay foi criado bem depois, nos anos 80. Mas podemos ir um pouquinho além, pois para quem considera que prática de “cosplayzar” vai além do “se fantasiar”, é interessante conhecer um pouco de suas raízes.

A Máscara

Você já deve ter se deparado com diversos filmes de época em que o famoso Baile de Máscaras demonstrava a elite burguesa de uma certa cidade ou reino. Antes de ter todo esse clima de “high society”, as máscaras já desempenharam diversos papeis, e falo de tempos que remontam a 30 mil anos atrás.

Usada em celebrações e ritos de passagem pelos povos antigos, foi utilizada no Egito antigo com o intuito de demonstrar a passagem para a vida eterna e na China para afastar os espíritos malignos. Foi então só em meados do século XV que as máscaras saíram dos cultos religiosos e da adoração ao ser divino, para começar a entreter as civilizações, como o Bobo da Corte e como um acessório para os carnavais de Veneza.

O Baile de Máscaras no Séc. XIV (National Endowment For The Humanities)

O Baile de Máscaras no Séc. XIV (National Endowment For The Humanities)

Masquerade Ball

Quando acontecia o Carnaval de Veneza lá pelo século XV, todo mundo queria sair para a rua para curtir e beber, inclusive a nobreza. Para se camuflarem e não chamarem a atenção, a utilização das máscaras começou a ser uma forma mais apropriada para este tipo de curtição. E aí que fica interessante: Com máscaras, você não conhecia a pessoa, não sabia seu sexo e muito menos sua posição social, porém, apesar de esconder seus rostos, as máscaras também evidenciam a personalidade por trás delas.

Devido a este crescimento de sua utilização – principalmente pela elite – a máscara veneziana acabou virando parte da economia local e uma peça de vital importância, dando origem também aos que criavam tais máscaras, os Maschereri. Este movimento das máscaras ganhou tamanha força, conquistando toda a Europa no século XVI e XVII, chegando até mesmo ao Brasil na época colonial.

Tá, até aí tudo bem quanto ao se caracterizar (costume). E quanto ao play?

Além da premissa de que o carnaval seria uma festa onde o seu “eu social” fica em casa, a pessoa de certa forma “encarnava” todos aqueles impulsos e sentimentos reprimidos. Outra questão é de que havia também diversas fantasias inspiradas em ícones históricos, como o Médico da Peste (Medico della peste), onde médicos utilizam uma máscara contendo um grande bico, contendo diversas misturas e especiárias para conter a catastrófica doença da época. Claro, cada Maschereri – que podemos até comparar com o cosmaker – dava seu toque especial a sua criação. *Vide imagens acima*

Travessuras ou Gostosuras

Junto com o carnaval, dá pra falar de mais uma grande festividade de âmbito mundial e com caracterizações: O Halloween!

Também chamado de Dia das Bruxas, suas origens remontam com referências a rituais Celtas na época de colheita e fertilidade, denominada Samhain, praticadas 600 a.C. Desde lá já se utilizava peças de roupas e acessórios para auxiliar no rito, passando por diversas evoluções e abordagens socio-religiosas diferentes.

O que é importante citar, foi que no início do século XX a primeira criança a utilizar fantasia e com o advento do cinema, principalmente na década de 20 e 30 onde diversos filmes de cunho sobrenatural começaram a surgir e criaturas icônicas (vampiro, lobisomem, bruxa, etc) passaram a ser referência na caracterização para o Halloween. Foi aí que a popularização das “crianças da vizinhança praticam o Travessuras ou Gostosuras” ganhou força.

Antiga máscara Irlandesa, remontando no começo do século XX.

Antiga máscara Irlandesa, remontando no começo do século XX.

Das Ruas a Convenção

Então já sabemos que já tem muito tempo que as pessoas se caracterizam em comemorações e festividades, seja com criações próprias, históricas ou mesmo do imaginário. Mas quando foi que esta prática se tornou um hobby e deixou de ser uma ação apenas para dias específicos?

Foi então que em 1939, na saudosa Nova Iorque acontecia o Nycon I ou também conhecido como o primeiro Worldcon (World Science Fiction Convention), talvez o evento mais NERD-ever que já aconteceu. Para citar alguns participantes, lá estavam: John. W. Campbell (principal figura da Idade de Ouro da Ficção Científica), Isaac Asimov (Trilogia da Fundação) e do ilustrador de pulp fictions – em especial Amazing StoriesFrank R. Paul.

Forrest J. Ackerman e Myrtle R. Jones (Morojo) em suas futuristicostumes (Via Costume.org)

Forrest J. Ackerman e Myrtle R. Douglas (Morojo) em suas futuristicostumes (Via Costume.org)

Em meio que aos 200 participantes do evento, eis que aparece um casal de fanzineiros, um “tal de” Forrest J. Ackerman e sua namorada Myrtle R. Douglas, fantasiados e que logo ele denominou de sua prática como Futuricostume, onde ele se caracterizou como um viajante espacial e sua esposa com um traje referente ao filme ‘Daqui a Cem Anos‘, baseado na obra de H.G. Wells. E mais, sua namorada Myrtle – também conhecida como Morojo – foi quem confeccionou tais fantasias!

A presença dessa dupla foi um divisor de águas para a caracterização moderna. Até hoje, Ackerman e Morojo são considerados os precursores desta prática, tanto que no evento do ano seguinte do Worldcon, dezenas de pessoas passaram a se caracterizar como seus personagens favoritos de seus livros de ficção e foi aí que aconteceu o primeiro concurso “cosplay” do mundo, e sim, com apresentações com intuito de entreter a quem assistia; *Mas ok, ele ainda era chamado de ‘Masquerade’, em referência aos bailes de máscaras que aconteciam outrora.

Isto foi o estopim para que pessoas passassem a se caracterizar com figuras que iam além dos humanos da ficção: Monstros, mutantes, alienígenas começaram a aparecer entre os caracterizados no evento. Até que o termo Masquerade evoluiu para costuming, fan costuming e chegou ao que temos hoje, o cosplay em 1984. Mas aí, é papo para outra história!

Espero que tenham gostado da matéria e se liguem que em breve estarei continuando esta história até os dias de hoje ^^

Apêndice e Bônus

A máscara mais antiga do mundo… Tem mais de 9 mil anos e sim, parece um smile. 

tem mais de 9 mil anos. (Musée de la Bible et de la Terre Sainte)

(Musée de la Bible et de la Terre Sainte)

Uma coleção de máscaras chinesas… Que se parecem máscaras de super sentais!

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

O Baile de Máscara em Veneza…

Via Walks of Italy

Via Walks of Italy

Acontece até os dias de hoje!

2008, Imagem Divulgação

2008, Imagem Divulgação

E chegou até o Brasil

Baile de máscaras no Teatro Lírico do Rio de janeiro em 1883

Baile de máscaras no Teatro Lírico do Rio de janeiro em 1883

As primeiras caracterizações do Halloween começaram no início do século passado… 

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

E até que eram bem bizarras e aterrorizantes… 

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

Até chegarmos ao primeiro Worldcon, com Ackerman

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

E Morojo

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

BELLAN

O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; Ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.

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